Textos produzidos por nossos alunos, também considerados fonte de estudo já que os mesmos são acompanhados de comentários dos Professores.

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Cada um vê o sol do meio dia a partir da janela de sua casa | Lorena Alves Lima, 1º ano/EM

Como de costume, quando cheguei do colégio entrei no facebook, uma rede social que às vezes é bem interessante, contrariamente pode ser insuportável – e assim foi hoje. Ao descer meu feed de notícias vejo uma foto do Neymar, seu filho e uma banana, não fico surpresa por ver uma das pessoas mais veiculadas na mídia, seu filho também não me espanta, mas confesso que achei curioso ambos estarem segurando uma banana; em um olhar mais minucioso leio a legenda: “somostodosmacacos”, muitas curtidas, comentários de apoio, e compartilhamentos, aquilo foi se repetindo.

No decorrer de uma hora que utilizei o facebook tudo me pareceu muito claro, dentre esses minutos, assisti ao vídeo do Daniel Alves (excelente jogador) comendo uma banana que foi jogada no campo em sua direção. Por incrível que pareça não fiquei intrigada com a atitude de Daniel, mas sim com a de Neymar. Deve ser separada a reação do Daniel ao comer a banana, num evidente ato racista por parte da torcida, da campanha que mais tarde fui descobrir - que tinha aderido outros participantes muitos deles famosos em apoio ao Daniel e de denúncia ao racismo, promovida por Neymar.

A comparação entre negros e macacos não é tão recente, e em sua essência é racista, e quando o tema é este a tendência é piorar. A atitude de Daniel foi pensadamente espontânea e tornou-se uma resposta para uma agressão que dura séculos.

Nesse mesmo dia assisti à entrevista que ele deu após o jogo, ele diz: “Tem que ser assim! Não vamos mudar. Há 11 anos convivo com a mesma coisa na Espanha. Temos que rir desses retardados”.

Sabemos que o ato de jogar uma banana não foi uma ação de carinho para com o jogador com o intuito de prevenir possíveis câimbras. Esta atitude foi uma ação racista ofensiva, que remete a um mau uso extremo da ciência.

O racismo incomoda muitos, mas para alguns em proporções bem menores, afinal quando se é rico é fácil ignorar e rir. O elemento econômico suaviza o preconceito, mas não o anula; não transformam negros em brancos. Apesar das bananas pessoas deste tipo dificilmente serão tratadas como animais; confundidos com um assaltante, tão pouco desaparecidos, torturados e mortos como Amarildo.

Para finalizar meu tempo gasto no facebook aparece-me a foto de Luciano Hulk e sua esposa, entre diversos outros famosos, políticos e jogadores que aderiram à campanha de Neymar; descubro então que foi arquitetada pela Loducca, a loja de Luciano na internet começou a vender camisetas com a estampa da banana, e o mais irônico: todos modelos são brancos.

Não, não somos macacos, sugiro uma adaptação para as hashtagas: “Somostodosnegros”, porque lembrar que é da África que viemos é bem mais sensato.

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Guerreiro das Manhãs | Lucas Caetano Gomes, 1º ano/EM

Cinco e quarenta, a hora do dia que mais detesto, já dormi de uniforme para não ter que trocar de roupa no frio intenso da manhã. Não me leve a mal, é só uma praticidade a mais. Sou um adolescente de bem com a vida, poucas coisas me irritam, mas minha rotina conturbada é um caso a parte.

Desço as escadas na velocidade da luz e tento comer alguma coisa... Claro que não dá tempo! Tenho que descer a rua correndo e olhando o relógio, enquanto escuto de longe o barulho alto da van chegando. Quando chega, eu entro, e saiba que nem um “bom dia” eu recebo.

É assim, todo começo de dia é assim, mas não é só isso, pois como se não bastasse o guerreiro das manhãs não receber um bom dia, ainda é necessário encarar a escola.

Sim, eu detesto estudar, ainda mais de manhã. Chego à escola morrendo de sono, e claro que eu adoro escutar os professores vomitando matéria perecendo um zumbi, mas tem professores que relevam o cochilo. Quando bate o sinal do meio dia e quarenta, uma sensação de alívio me consome, é como se estivesse sendo liberado da cadeia, finalmente posso dizer que estou feliz de novo.

Subo a Autonomista num pulo para não me atrasar para o trabalho, que ao menos é um trabalho legal, onde eu posso fazer meus projetos arquitetônicos numa boa. Mais tarde almoço, geralmente um rodízio de temakis e depois vou para casa, onde finalmente posso dormir um pouco.

― Acorda filho!

Minha mãe me chama para jantar, já são oito horas da noite e eu ainda tenho lições de casa para fazer. Janto e tomo banho. O pouco tempo que me resta antes de dormir de novo é usado para lições de casa. Quando acabo as lições, apago a luz, tendo o desânimo de saber que o guerreiro das manhãs encara tudo de novo em algumas horas, quando acordar cinco e quarenta de manhã.

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A Ditadura das Curtidas | Emily Maziero, 1º ano/EM

Acordamos de manhã com aquele despertador irritante do celular que toca alto e freneticamente até você deslizar o dedo na tela para pará-lo. Colocamos a roupa mais bonita, tiramos uma foto no espelho para postar no Instagram e esperamos pelas curtidas. Está trânsito, o farol está fechado e você sabe que ficará parado no mesmo lugar por um bom tempo. O que fazer? Pegamos o celular como quem não quer nada e damos uma checada no Facebook, já que o mesmo está aberto e aproveitamos para postar uma reclamação sobre o trânsito. Esperamos pelas curtidas.

A única rede social onde as opções de curtir não estavam presentes era o Twitter, mas na última atualização isso mudou. Acrescentaram a opção de curtir. Então depois de passar a manhã trabalhando ou estudando postamos uma observação rápida no Twitter, dizendo o quão famintos estamos. Esperamos pelas curtidas. Na hora do almoço preparamos algo ou pedimos algum prato em um restaurante, tiramos uma foto dele ou até uma selfie com ele, postamos no Instagram. Esperamos pelas curtidas.

Essas atitudes são exemplos do quanto somos escravos da tecnologia e cada vez mais o contado verdadeiro fica cada vez mais raro. Cadê as conversas na rua, os abraços? As crianças já nascem com um smartphone na mão, daqui a pouco vai ter bebê recém-nascido postando selfies por aí! Às vezes é bom receber umas curtidas para levantar o ego, mas uma curtida na vida real é bem melhor.