Textos produzidos por nossos alunos, também considerados fonte de estudo já que os mesmos são acompanhados de comentários dos Professores.

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O inimigo está na rua | Leonardo Yudgi Takino, 1º ano/EM

O dia estava estranho. Acordei e percebi que não seria um bom dia para mim. Logo que levantei da cama chutei a quina da porta, o que me fez xingar todos os meus antepassados. Caminhei até a cozinha e tomei meu café da manhã, leite com um pão velho. Depois disso, tomei uma ducha rápida e fui correndo para a garagem.

Liguei meu Fusca e fui direto para a rodovia. Precisava me apressar para conseguir chegar ao casamento da prima Ruth. Entretanto, tinha um grande obstáculo para eu passar. Para ser mais exato, um obstáculo de 110 km: o trânsito.

Ah, o trânsito! A tortura que todos têm que aturar todo santo dia. Não importa o dia, não importa a hora, ele está nas ruas, esperando sua próxima vítima.

Nem adianta ter pressa em casa, pois com certeza você não escapará dele. Um dia, saí com tanta pressa de casa que acabei esquecendo de fechar a garagem. Mas não adiantou nada, fiquei mais de uma hora entre os carros, num calor do inferno.

Bem, voltando para a história. Ficar parado não é a pior parte. O pior é ter que ficar ouvindo as centenas de pessoas gritando, xingando e buzinando, como se isso resolvesse algo. E para acabar com o meu dia, apareceu um carro com o som no máximo, ouvindo uma música horrível. Este motorista deve achar que está alegrando o clima tenso, mas só colabora com a bagunça.

Da próxima vez vou de bicicleta para o casamento. Imagine, que entrada triunfal!

Pensando bem, vou abandonar o volante de uma vez por todas e começar a andar de bicicleta para todo lado. Além de ser saudável é mais rápido.

Enquanto eu ia pensando em uma boa desculpa para minha prima, procurava o retorno para sair daquele caos.

profa-maria-docarm

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Profa. Maria do Carmo


O texto do Leonardo apresenta uma das formas exercitadas em aula, para iniciar uma crônica: o relato. Depois, no segundo parágrafo, a apresentação do assunto com um tom dramático, chamando a atenção do leitor. Esse tom faz com que um assunto tão corriqueiro seja valorizado.

Ainda, valorizando o assunto, o autor emprega uma figura de linguagem chamada personificação: “ele está nas ruas, esperando sua próxima vítima...” “Nem adianta ter pressa em casa, pois com certeza você não escapará dele”.

O Leonardo continua narrando fatos pequenos que se passaram ali. É no tom da narrativa dos fatos que verificamos o posicionamento crítico, item identificado nas crônicas analisadas nas aulas e solicitado na proposta de produção textual.

Muito bom, Leonardo


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Manifestações da hipocrisia | Caroline Vieira Borrejo, 1º ano/EM

Sabe aquele momento em que você pensa e acha que alguma coisa está errada, mas você não pode se expressar porque ninguém vai ter ouvir? Pois é, foi exatamente esse o meu pensamento em relação às manifestações.

Quinta-feira. Brasil e Croácia. O jogo que o mundo inteiro esperava; o início da copa do mundo. Eu estava na expectativa daquele jogo, desde o dia em que comprei o meu ingresso e não via a hora de chegar.

Depois de algumas horas na fila, eu finalmente consegui entrar no estádio e sentar, agora era só esperar o jogo começar.

O tempo que passei lá esperando, quase me deixou louca com tantas coisas erradas que eu via. As pessoas estavam no jogo, na copa do mundo, prontas para gritar e torcer, mas ao mesmo tempo levantavam cartazes criticando o país, a copa, o governo e tudo relacionado ao assunto. Criticando, mas estavam lá.

Eu realmente não sei o que é pior; fazer baderna contra a copa, e depois vibrar loucamente a cada gol feito ou ir às ruas, quebrar tudo o que vê pela frente e depois sair mais cedo do trabalho ou da escola, e sentarem em frente a TV prontos para assistirem ao jogo.

No começo dava até para entender a revolta do povo, ainda dá em certos pontos, mas a copa está ai, já está acontecendo, não dá para mudar isso. Agora não adianta nada, sair por ai quebrando o país inteiro, para impedir algo que já está acontecendo.

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Profa. Maria do Carmo


O texto da Caroline apresentou um ponto estudado em sala que vale a pena ressaltar: ela trata de um assunto muito presente no momento atual, mas captura um fato presenciado pelo narrador, para construir a crônica.

É no relato desse fato que a autora chama o leitor para refletir sobre os acontecimentos que todos presenciamos nos meses de maio e junho.

Ela conduz a reflexão de forma leve, mas no título apresenta a verdade do que se pensa sobre os fatos.

Muito bom, Caroline


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A cadeia de problemas | Bruna Borlina Monteiro, 1º ano/EM

Na quinta-feira, dia 5 de junho, era o dia da minha primeira entrevista de emprego. Além disso, foi o início da greve dos metroviários que tinha como objetivo conseguir quase o dobro do reajuste salarial proposto. Queriam 16,5% enquanto a proposta era 8,7%.

Pensei em ir de ônibus para a entrevista, mas além de chegar “amassada”, chegaria cheirando a suor.

Decidi pegar algumas baldeações a mais e ir de trem.

O trem estava o maior caos. Chegando à estação da Luz até me senti mais acolhida. Estávamos todos juntinhos, quentinhos e eu não precisava nem andar, já que acabavam me empurrando.

Não teve confusão só nos trilhos, mas também nas ruas. Com o rodízio de veículos suspenso tinha ainda mais carros em funcionamento e com a greve abusiva, mais pessoas precisaram mudar o meio de transporte.

Quando finalmente cheguei ao Brás, saí da estação e fui andando até o Prédio da empresa.

Depois de terminar a entrevista pensei em voltar para casa de ônibus, mas quando olhei para a Rua Piratininga, parada, decidi esperar mais um pouco até ficar mais vazio. Quase dormi por ali mesmo...

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A culpa é minha, e eu a coloco em quem eu quiser | Isabella Pennacchiotti, 1º ano/EM

Eu não vestirei preto no dia dos jogos da seleção brasileira.

O patrimônio brasileiro é meu e seu, nós pagamos taxas altíssimas por ele. Protestamos de modo absurdo apenas quando há grandes eventos no nosso país... Cansei! Tudo está errado.

Lendo alguns textos sobre as manifestações durante a copa de 2014, ou sobre qualquer tipo de protesto no nosso país, olhe só, acho que sempre lemos as mesmas palavras. Talvez seja por isso que o governo tenta censurar o povo. E falta dinheiro para o sistema de saúde... E tudo é culpa do governo, eles dizem... Aqui vai a maior notícia do ano! É culpa nossa também!

Somos enganados pelas mesmas pessoas há muitos anos. Sou nova, mas sei o que digo. Ao mesmo tempo que os policiais abusam da autoridade ao proteger os grandes estádios com armas e bombas, estamos colocando nossa vida em risco. Nós os colocamos no poder. Nós votamos nos chefes.

Tudo o que havia nos cofres para ser desviado, já foi. Esse dinheiro está no bolso deles, há anos. Quanto mais nós destruirmos, mais uma desculpa para gastar mais dinheiro. E esse fato continua a repercutir de forma negativa: Vemos na Internet textos mais negativos que a alienação dos brasileiros. A verdadeira arma contra os políticos corruptos são nossos dedos. Eu sei que existem pessoas esperando pela oportunidade de nos dar um país padrão FIFA.

Somos nós quem colocamos apenas a direita e a esquerda no poder, mas nunca vemos quem está entre eles. Não é culpa do Neymar, nem de quem assiste a toda essa briga sentado nos luxuosos gabinetes em Brasília.

Talvez seja a hora de assumir que a responsabilidade deva cair um pouco sobre nós, os chamados cidadãos, que nem sempre cumprimos nosso papel na hora certa... Mas sim na hora de quebrar e jogar tudo pro alto!