Textos produzidos por nossos alunos, também considerados fonte de estudo já que os mesmos são acompanhados de comentários dos Professores.

aluno coc camila eguchi
Para pensar sobre o transporte | Eduarda Germano, 3º ano/EM

Para pensar sobre o transporte

Um tema que vem sendo muito discutido ultimamente, e gerando polêmica, é a mobilidade urbana, que hoje em dia é peça fundamental no cotidiano do brasileiro.

Até certo tempo atrás, ter um carro era sinônimo de facilidade, tanto na locomoção, quanto no conforto. Mas, nos dias de hoje, em que para ir a qualquer lugar encontra-se um engarrafamento de quilômetros, essa facilidade se transforma em dor de cabeça.

A preferência pelo automóvel é compreensível, uma vez que o transporte coletivo caiu no esquecimento das autoridades políticas, que não fazem melhorias, tanto nas linhas, quanto nos próprios veículos, tornando-os perigosos e precários (além de biodegradáveis, como os ônibus).

Em 2013, o Brasil foi palco de grandes manifestações populares, que tiveram início devido ao preço elevado da passagem de ônibus em relação a falta de infraestrutura dos mesmos.

O aumento dos automóveis no país, além de ser responsável por engarrafamentos todos os dias (principalmente nos grandes polos econômicos) também causa parte da destruição do meio ambiente, devido à poluição gerada.

"Nos últimos dez anos, a frota de veículos aumentou em 400%", conta Fernando Rebouças. É necessário o estímulo (inclusive da mídia) aos cidadãos para que abram a mão do uso diário de carros, e optem por transportes não poluentes (como a bicicleta), ou coletivos, para diminuir a quantidade de veículos nas ruas, reduzindo assim, tanto a poluição, quanto o engarrafamento. Também é fundamental o investimento do governo em melhorias nesses transportes".

Metrópoles paradas

Não é novidade para ninguém que as metrópoles brasileiras vêm crescendo e se urbanizando cada vez mais, e com isso os fluxos migratórios nessas regiões também aumentam, dificultando a locomoção.

Hoje em dia, ter um carro é prioridade fundamental para muitas pessoas, seja pela privacidade, pela má qualidade dos transportes públicos, ou até mesmo pelo individualismo dessa geração. Só não vale dizer que é questão de praticidade, porque do jeito que as coisas andam, ou melhor, não andam, sair de carro é sinal de ficar horas preso no engarrafamento.

Das mesas de debate, surgem várias propostas, como a criação de estações de carros, assim como há de bicicletas. Mas entre todas elas, a solução mais viável para a mobilidade urbana, tanto de São Paulo, quanto de outras metrópoles, seria priorizar o transporte coletivo acima do individual; transportes que não agridem o meio ambiente, como as bicicletas, por exemplo, também se encaixam em uma forma de resolver esse problema.

A questão é, para isso acontecer, não se deve apenas investir no transporte em si, mas também em melhorias “associadas à disposição da rede metropolitana e ao uso do solo” segundo Dr. R. Sartoratto, chefe do departamento de planejamento de transporte da CPTM.

De acordo com R. Tonobohn, superintendente de Planejamento e Segurança no Trânsito da CET, “grandes polos, como shoppings centers e grandes centros de escritórios têm a responsabilidade sobre a demanda de transporte que vão gerar”. Além de priorizar os meios de transportes já citados, descentralizar os serviços básicos, aproximando a moradia do emprego é uma proposta que contribuiria muito para a questão da mobilidade urbana, e resolveria grandes problemas relacionados ao assunto.

profa-maria-docarm

COMENTÁRIOS
Profa. Márcia Celestini Vaz
Coordenadora da Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Acabamos de desenvolver no Colégio a 3a. edição do COC Debate, evento anual que ocorre em junho de cada ano, envolvendo os 3o.s anos do EM. Tal evento possibilita a discussão sobre um tema atual, de forma contextualizada, e culmina com a produção de um texto pelos alunos. O Projeto conta com orientações aos alunos dadas por professores das turmas acerca de recortes temáticos específicos para cada sala. O COC Debate é coroado com um debate real promovido, organizado e desenvolvido pelos próprios alunos e sempre com a presença de profissionais renomados da área relacionada ao tema em questão.

Na edição 2014, os alunos produziram um artigo de opinião antes mesmo de passarem por todas as etapas do Projeto. A proposta tinha como tema: "É possível crescer sem parar?", uma vez que todas as pesquisas, orientações e discussões estariam associadas ao grande problema que os centros urbanos enfrentam hoje: como se movimentar melhor pelas cidades (mobilidade urbana)? De carro, ônibus, metrô, bicicleta, trem, a pé...?

Os alunos produziram os textos a partir de seus conhecimentos prévios, de leituras cotidianas, de discussões que envolvem o tema na maioria dos meios de comunicação atualmente. Os textos foram corrigidos e não foram entregues aos alunos de imediato. Depois dessa produção, começaram as etapas do Projeto que finalizaram com III COC Debate. Aos alunos, após a conclusão do evento, foi proposto o tema Qual(is) meio(s) de transporte deve(m) ser priorizado(s) para atender às necessidades do povo paulistano e qual(is) outra(s) medida(s) precisa(m) ser tomada(s) em adição para melhorar a mobilidade na região metropolitana de São Paulo? que também seria desenvolvido em um artigo de opinião, para que pudessem comparar sua performance "antes" e "depois" do Projeto. O que se pôde verificar nessa comparação? Com relação ao texto 2,

1. os alunos apresentaram mais dados que fortaleceram sua argumentação;

2. os textos expuseram melhor estrutura e vocabulário;

3. a análise e a reflexão apareceram fortalecidas com referências diretas a falas dos debatedores;

4. a conclusão dos textos mostrou-se mais coerente com a argumentação apresentada.

Eventos como o COC Debate, promovidos pelo Colégio, demonstram que a contextualização e a interdisciplinaridade são conceitos que se atualizam em práticas pedagógicas de qualidade. Podem, ainda, estimular que habilidades desenvolvidas sejam transpostas a outras áreas e situações e apontam para a necessidade de se dar sentido às atividades propostas, de modo concreto e real.


foto aluno coc
Imobilidade Urbana | Elisa Hardt, 3º ano/EM

Imobilidade Urbana

Atualmente, cada brasileiro tem, em média, dois ou mais carros em suas garagens, caracterizando o aumento de 400% da frota de veículos do país nos últimos 10 anos, o que intensificou o prejuízo da mobilidade dos cidadãos no meio urbano, observada através da diária lentidão rodoviária. Tal lentidão, em cidades como São Paulo, virou motivo de piada e a incapacidade governamental de solucioná-la, o ponto central da comicidade.

O crescimento populacional, o disparo da oferta e demanda de carros e a falta de investimentos em meios de transporte alternativos de qualidade somados ao caos vigente nas rodovias e avenidas (96% do meio de transporte de escolha da população de São Paulo) configuram os sintomas da hipertrofia urbana paulista.

Como país emergente, o Brasil tem uma (aparentemente ignorada) demanda de adotar uma nova postura diante da atual situação, visando evitar que a mobilidade urbana seja ainda mais prejudicada. Com exceção da criação dos corredores de ônibus não é possível apontar outros investimentos significativos nas estruturas de transportes coletivos. Segundo o articulista Fernando Rebouças, “(…) A solução mais cabível é o investimento em transportes coletivos integrados de qualidade e não poluentes, (…)”. Já que o problema resume-se a falhas na gestão de projetos, deve-se voltar a atenção para a necessidade de melhoria dos transportes carentes de investimentos. Tais investimentos devem ser distribuídos entre a qualidade de ruas, estradas, ciclovias e calçadas; a expansão de linhas de trens e metrôs; multas mais severas para os que desrespeitarem os corredores de ônibus, além da transformação dos próprios ônibus atuais em não-poluentes; e o incentivo à população para substituir o uso de seus carros pelo de transportes coletivos, contribuindo assim, para um trânsito menos caótico e para uma menor emissão de poluentes ambientais.

A Organização do Solo e a Mobilidade Urbana

Representam as principais causas dos atuais problemas da mobilidade urbana a ênfase na utilização do automóvel como principal meio de transporte, a precariedade, insuficiência e encarecimento dos transportes públicos e coletivos e a falta de investimento satisfatório na organização da infra-estrutura metropolitana, somadas ao crescimento das cidades brasileiras (principalmente a partir da década de 1970). Apesar do que vem sendo debatido, poucos são os que tocam no importante ponto da responsabilidade sobre a organização da rede urbana e o uso do solo.

Pode-se eleger a falta de planejamento da cidade como principal culpada pelas dificuldades nos sistemas de transporte, uma vez que a concentração de comércio, empresas e serviços públicos em areas afastadas de bairros residenciais é um dos fatores que explicam a excessiva locomoção diária da população. A parcela populacional que reside nas periferias representa a mais prejudicada pela má distribuição dos serviços e pobre qualidade dos transportes públicos a que se submetem por falta de opção. Entre as possíveis soluções para sanar as dificuldades do sistema de mobilidade urbana pode-se citar a priorização de meios de transporte alternativos. Tal priorização pode ocorrer por meio da criação de ciclovias integradas à rede urbana de modo a não interferir no fluxo de automóveis, visando atingir melhor pravidade e locomoção para os adeptos do uso de bicicletas.

Além dessa solução citada, há também a opção de reorganização da distribuição da rede urbana e uso do solo, como proposto no atual Plano Diretor, de modo a aproximar as morados dos empregos, que estão, em sua maioria, concentrados nos grandes polos geradores de viagem como ‘shopping centers’ e centros de escritórios.

Portanto, é necessária a criação de uma rede integrada de modais, ou seja, um melhor manejamento do solo e investimento em projetos de sistemas de transporte que sejam eficientes, como aponta o Dr. Rodrigo Sartoratto (chefe do departamento de planejamento de transporte da CPTM. COC Debate, 2014) “(…) Sistemas de transporte não resolvem a questão da mobilidade urbana por si só, deve haver um investimento neles associado à disposição da rede metropolitana e ao uso do solo (…)”.

profa-maria-docarm

COMENTÁRIOS
Profa. Márcia Celestini Vaz
Coordenadora da Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Acabamos de desenvolver no Colégio a 3a. edição do COC Debate, evento anual que ocorre em junho de cada ano, envolvendo os 3o.s anos do EM. Tal evento possibilita a discussão sobre um tema atual, de forma contextualizada, e culmina com a produção de um texto pelos alunos. O Projeto conta com orientações aos alunos dadas por professores das turmas acerca de recortes temáticos específicos para cada sala. O COC Debate é coroado com um debate real promovido, organizado e desenvolvido pelos próprios alunos e sempre com a presença de profissionais renomados da área relacionada ao tema em questão.

Na edição 2014, os alunos produziram um artigo de opinião antes mesmo de passarem por todas as etapas do Projeto. A proposta tinha como tema: "É possível crescer sem parar?", uma vez que todas as pesquisas, orientações e discussões estariam associadas ao grande problema que os centros urbanos enfrentam hoje: como se movimentar melhor pelas cidades (mobilidade urbana)? De carro, ônibus, metrô, bicicleta, trem, a pé...?

Os alunos produziram os textos a partir de seus conhecimentos prévios, de leituras cotidianas, de discussões que envolvem o tema na maioria dos meios de comunicação atualmente. Os textos foram corrigidos e não foram entregues aos alunos de imediato. Depois dessa produção, começaram as etapas do Projeto que finalizaram com III COC Debate. Aos alunos, após a conclusão do evento, foi proposto o tema Qual(is) meio(s) de transporte deve(m) ser priorizado(s) para atender às necessidades do povo paulistano e qual(is) outra(s) medida(s) precisa(m) ser tomada(s) em adição para melhorar a mobilidade na região metropolitana de São Paulo? que também seria desenvolvido em um artigo de opinião, para que pudessem comparar sua performance "antes" e "depois" do Projeto. O que se pôde verificar nessa comparação? Com relação ao texto 2,

1. os alunos apresentaram mais dados que fortaleceram sua argumentação;

2. os textos expuseram melhor estrutura e vocabulário;

3. a análise e a reflexão apareceram fortalecidas com referências diretas a falas dos debatedores;

4. a conclusão dos textos mostrou-se mais coerente com a argumentação apresentada.

Eventos como o COC Debate, promovidos pelo Colégio, demonstram que a contextualização e a interdisciplinaridade são conceitos que se atualizam em práticas pedagógicas de qualidade. Podem, ainda, estimular que habilidades desenvolvidas sejam transpostas a outras áreas e situações e apontam para a necessidade de se dar sentido às atividades propostas, de modo concreto e real.


foto aluno coc
Melhor PIB, pior locomoção. Que hipocrisia, não? | Mariana Munhoz, 3º ano/EM

Melhor PIB, pior locomoção. Que hipocrisia, não?

Os meios de transporte estão sendo cada vez mais abrangidos e têm gerado muitas discussões nos últimos anos. Focando-se no Brasil, os congestionamentos causados pelos transportes estão aumentando assustadoramente e em um ritmo desenfreado: a grande demanda e utilização de carros e a falta de transportes públicos são a causa. Esse elevado número de carros em circulação está também elevando os níveis de poluição, o que leva a um pensamento de como conciliar um futuro aumento do transporte público e a não degradação do meio ambiente: a chamada “mobilidade urbana”.

O caso no Brasil sobre o elevado uso de carros e motos e a falta de transporte público é um problema histórico: enquanto a Europa priorizava os serviços públicos, o Brasil priorizava as empresas automobilísticas, focado no lucro que iria obter. Esse fator gerou hoje em dia um enorme caos de carros e ônibus, trens e metrôs onde mais da metade da população – segundo estatísticas – se transporta, houve um déficit e não está crescendo.

Um país como o Brasil onde o PIB é um dos mais elevados do mundo, não se remete a isso quando há falta de estrutura pública no país. A corrupção na política, a falta de planejamento e até mesmo questões ambientais, dificultam os investimentos nas estruturas do transporte público brasileiro.

A mobilidade urbana poderia ser resolvida, mesmo que de forma parcial, através de inovações tecnológicas com novos transportes que causassem menos poluição. Outras formas seriam por meio de campanhas para um menor uso de carros e uma maior utilização de locomoções públicas, e também mais protestos via internet ou às ruas contra a corrupção, para que nossos caros impostos fossem usados para um maior investimento nos transportes públicos e não, para o enriquecimento de outros indivíduos.

Século XXI: a busca por melhorias na mobilidade urbana

Desde o começo da humanidade, o homem buscava meios para o transporte de cargas e uma forma facilitada para sua locomoção: ele sempre necessitou de mobilidade. Seus desejos foram “atendidos”. Com o governo de Juscelino Kubitschek, presidente da República de 1956 à 1961, houve incentivo da produção de automóveis, fato que melhorou a mobilidade urbana naquela época, porém por outra perspectiva, os meios de transportes públicos foram esquecidos, causando grande déficit nos dias de hoje.

Atualmente, com a enorme frota disponível de automóveis, a mobilidade desses transportes está se tornando cada vez mais caótica e um objeto que seria utilizado para o transporte se tornou símbolo de status, de poder e de estresse. Mas com melhorar esse caos no trânsito? Apenas investindo em transportes públicos?

O problema da falta de infraestrutura no setor público de transporte não será resolvido apenas com investimentos nessa área. Segundo o chefe de departamento de planejamento de transporte da CPTM, Rodrigo Sartoratto, é preciso tratar o uso do solo para que não haja grande concentração urbana em alguns locais e uma ferramenta para alcançar esse objetivo será o Plano Diretos de São Paulo.

Portando, com a aprovação do Plano Diretor de São Paulo, grande porcentagem dessa concentração urbana poderá diminuir, melhorando a mobilidade, juntamente com o aumento de investimentos na área pública de locomoção. Outro investimento que poderá ser feito pelo Governo é em propagandas para o incentivo de outros meios de transporte, como por exemplo, o da bicicleta.

profa-maria-docarm

COMENTÁRIOS
Profa. Márcia Celestini Vaz
Coordenadora da Área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias


Acabamos de desenvolver no Colégio a 3a. edição do COC Debate, evento anual que ocorre em junho de cada ano, envolvendo os 3o.s anos do EM. Tal evento possibilita a discussão sobre um tema atual, de forma contextualizada, e culmina com a produção de um texto pelos alunos. O Projeto conta com orientações aos alunos dadas por professores das turmas acerca de recortes temáticos específicos para cada sala. O COC Debate é coroado com um debate real promovido, organizado e desenvolvido pelos próprios alunos e sempre com a presença de profissionais renomados da área relacionada ao tema em questão.

Na edição 2014, os alunos produziram um artigo de opinião antes mesmo de passarem por todas as etapas do Projeto. A proposta tinha como tema: "É possível crescer sem parar?", uma vez que todas as pesquisas, orientações e discussões estariam associadas ao grande problema que os centros urbanos enfrentam hoje: como se movimentar melhor pelas cidades (mobilidade urbana)? De carro, ônibus, metrô, bicicleta, trem, a pé...?

Os alunos produziram os textos a partir de seus conhecimentos prévios, de leituras cotidianas, de discussões que envolvem o tema na maioria dos meios de comunicação atualmente. Os textos foram corrigidos e não foram entregues aos alunos de imediato. Depois dessa produção, começaram as etapas do Projeto que finalizaram com III COC Debate. Aos alunos, após a conclusão do evento, foi proposto o tema Qual(is) meio(s) de transporte deve(m) ser priorizado(s) para atender às necessidades do povo paulistano e qual(is) outra(s) medida(s) precisa(m) ser tomada(s) em adição para melhorar a mobilidade na região metropolitana de São Paulo? que também seria desenvolvido em um artigo de opinião, para que pudessem comparar sua performance "antes" e "depois" do Projeto. O que se pôde verificar nessa comparação? Com relação ao texto 2,

1. os alunos apresentaram mais dados que fortaleceram sua argumentação;

2. os textos expuseram melhor estrutura e vocabulário;

3. a análise e a reflexão apareceram fortalecidas com referências diretas a falas dos debatedores;

4. a conclusão dos textos mostrou-se mais coerente com a argumentação apresentada.

Eventos como o COC Debate, promovidos pelo Colégio, demonstram que a contextualização e a interdisciplinaridade são conceitos que se atualizam em práticas pedagógicas de qualidade. Podem, ainda, estimular que habilidades desenvolvidas sejam transpostas a outras áreas e situações e apontam para a necessidade de se dar sentido às atividades propostas, de modo concreto e real.


aluno coc camila eguchi
Alimentados pela tecnologia | Camila Eguchi, 1º ano/EM

A tecnologia, cada vez mais, supre a necessidade do contato. Por todo lado se vê as pessoas grudadas ao celular, mais precisamente, à internet. É quase impossível encontrar um adolescente que não tenha um aparelho eletrônico.

Hoje é aniversário da minha sobrinha Bruna, de 16 anos. Como a maioria dos adolescentes, ela resolveu fazer uma festa para reunir os amigos e se divertir. A música toca alto e há muitos jovens. Porém, a única coisa que vejo são pessoas com o celular na mão que mal se olham. Estão juntos, mas ao mesmo tempo longe.

Presenciando essa cena, me pergunto se um aparelho eletrônico os diverte mais que seus amigos. Parece que sim. Vou até Bruna e pergunto “Eles estão mesmo se divertindo?”. E ela responde “Claro, aqui no salão tem wi-fi”. O importante não é estar com os amigos, o importante é ter internet.

É certo que a tecnologia nos move e está cada vez mais presente no dia-a-dia, mas as pessoas estão cada vez mais dependentes dela. Esses jovens perdendo momentos para um celular parece tão comum e rotineiro. Ao mesmo tempo que a tecnologia nos aproxima, ela nos afasta. Hoje em dia, nós temos tanta facilidade em nos comunicar que acabamos esquecendo das pequenas coisas, do contato, da conversa. Não duvido que alguém nesta “festa” esteja falando com outro alguém no mesmo recinto pelo celular. Jovens perdendo sua juventude, a época de descobrir as coisas, descobrir o mundo. O máximo que eles podem descobrir assim é um novo recurso no celular.

Esse fato chega até a me deixar incomodado. Chega a hora do parabéns e todos continuam “conectados”. A maioria começa a tirar fotos. Me viro para uma garota e digo “Aproveite a festa, esqueça o celular”. Ela me responde “Estou tirando foto”. Falo para ela “Foto é para quem não tem memória”. A garota ri e volta a olhar para o celular.

Como o bolo e já procuro Bruna para me despedir. Abraço-a, desejo-lhe parabéns novamente e vou embora, porque hoje em dia está mais fácil olhar na tela do celular do que nos olhos das pessoas.

profa-maria-docarm

COMENTÁRIOS
Profa. Maria do Carmo


O texto da Camila é um exemplo de apropriação dos recursos linguísticos e do percurso de pensamento que permeiam esse gênero textual. Primeiro, o percurso de pensamento, quando a autora apresenta o assunto, chamando a atenção do leitor para o que quer comentar e, depois, a narração de um fato que aproxima o leitor dele, fazendo com o que o corriqueiro venha à tona.

Os recursos empregados marcam o posicionamento crítico da autora frente ao que se conta. A linguagem é simples, também característica das crônicas.

Curioso, também, foi identificar a voz masculina que fornece ao leitor características psicológicas desse “narrador”.

Parabéns, Camila.