Textos produzidos por nossos alunos, também considerados fonte de estudo já que os mesmos são acompanhados de comentários dos Professores.

Os alunos do 1o. ano do EM estão prestes a concluir uma importante etapa de seu Curso de Produção Textual. Em breve, estarão, no 2o. ano, imersos nos gêneros textuais que desenvolvem a argumentação, a tomada de posição, a análise e a crítica. Para isso, começaram a ser preparados desde já. As produções que seguem representam a entrada das turmas no gênero análise literária, que requer uma leitura de entendimento, que passa por outro gênero, o resumo, para que possam iniciar uma reflexão sobre o que propõe uma determinada leitura literária. Nesse caso, a obra é O Cavaleiro Inexistente, de Italo Calvino.

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A consciência de ser | Júlia Violato

O objeto dessa análise é “O Cavaleiro Inexistente”, romance escrito pelo cubano Ítalo Calvino, participante da resistência ao fascismo italiano, na década de 1950. O livro é o terceiro volume da trilogia “Nossos Antepassados”, composta, além deste, pelos livros “Visconde Partido ao Meio” e “Barão nas Árvores”. A história passa-se na Idade Média, na época em que Carlos Magno governava os francos e conflitos e guerras eram frequentes, e relata a vida de um dos paladinos desse rei.

A história gira em torno de Agilulfo, um guerreiro cuja existência depende solenemente de sua consciência, que, durante o andar da história, luta contra o medo de desaparecer completamente, a inveja daqueles que existem fisicamente, enquanto tenta ser notado, incluído, marcar, no mínimo, sua presença, como pode-se perceber já nos primeiros capítulos, quando o guerreiro demonstra sua insegurança ao notar que a atenção está em si, mesmo sendo a imagem do cavaleiro perfeito.

Agilulfo serve como paladino do rei Carlos Magno, em uma época em que este ainda era imperador, mas já se desgastava em seu cargo, ao ponto de nem questionar a inexistência de Agilulfo. Também sob o comando de Magno está o novato Rambaldo, que se tornou cavaleiro, mesmo sem ter aptidão nenhuma, para vingar a morte do pai, e, indiretamente, o escudeiro Gurdulu, que serve a Agilulfo, mesmo com sua instabilidade psicológica – que o faz pegar no sono ao se tornar escudeiro.

A relação entre essas personagens, no início, é disfuncional. Rambaldo, aspirante sem talentos, admira Agilulfo, mas este, objetivo e perfeccionista como é, não quer perder seu tempo, e mesmo Gurdulu não demonstra nenhuma afinidade com o jovem, chegando uma vez a fugir de Rambaldo, que apesar de tudo não deixa de correr atrás de Agilulfo na esperança de se tornar um melhor cavaleiro.

Apesar do enredo e contexto incomuns, “O Cavaleiro Inexistente” possui uma narrativa interessante e, mesmo sendo uma sátira, retém a promessa de explicações quanto à existência do cavaleiro e como isso se relaciona com o seu papel na sociedade em que vive; suficiente para prender a atenção de qualquer leitor curioso por um tempo.

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Profa. Márcia Celestini


O texto da Júlia demonstra maturidade e seriedade. Elementos centrais para um leitor que se propõe a analisar uma obra. Parabéns, Júlia.


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A difícil missão de existir | Lorena Alves Lima

O objeto desta análise, o romance “O Cavaleiro Inexistente” escrita por Ítalo Calvino em 1959, é a terceira da trilogia “Os nossos antepassados”, composta também por “O visconde partido ao meio” e “O barão nas árvores”. Ítalo Calvino (1923 – 1985) grande escritor do século XX, nasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba. Participou da resistência ao fascismo e foi membro do Partido Comunista Italiano até 1956. Terminada a Segunda Guerra Mundial, um ano depois iniciou a faculdade de Artes. Publicou sua primeira obra, “Il sentiero dei nidi di ragno”, em 1947. É possível perceber a influência de sua formação, em suas obras.

A história de “O Cavaleiro Inexistente” passa-se nas muralhas da França sob o domínio de Carlos Magno, que inicia a apresentação do seu exército, revistando seus paladinos. Calvino cria uma história de cavalarias às avessas, volta-se ao tempo heroico medieval em tom de sátira para marcar a decadência. Logo no primeiro capítulo, o leitor é apresentado ao personagem principal, o paladino Agilulfo, um cavaleiro metódico e burocrático, apresentado com ricos detalhes; destaca-se por ser diferente: não existir. Calvino desperta expectativas no leitor, como no seguinte trecho “Como era possível aquele fechar dos olhos, aquela perda de consciência de si próprio”, relatando que ele não poderia se deparar com sua própria inexistência. O que o mantém vivo em relação com o mundo é o elemento da razão, tornando-se substancialmente um ser pensante e crítico.

No segundo capítulo, Rambaldo é apresentado; um jovem que busca vingar a morte de seu pai. Ele é responsável por caracterizar a tropa de Carlos Magno, pois representa o mecanismo de seu reinado por meio das onomatopeias. “Rambaldo compreendia que aqui tudo caminhava mediante rituais, convenções, fórmulas, e por baixo disso, o que havia?” Tratava-se de um jogo.

Os próximos capítulos destinam-se a apresentação dos demais personagens, como Gurdulu, responsável pelos pontos cômicos da obra. Não há um nome fixo para Gurdulu, ele é o que vê e quer ser. Calvino tenta explicar sua essência em trechos como: “Talvez não se possa chamá-lo de doido: é só alguém que existe, mas não tem consciência disso”. Ele é o oposto de Agilulfo, representa uma vivência objetiva do mundo. Carlos Magno considera ambos os personagens uma boa dupla, por isso entregou Gurdulu como escudeiro de Agilulfo.

“O Cavaleiro Inexistente” representa os dilemas humanos, evidenciando que o leitor está diante de uma obra reflexiva, coberta de paradoxos, momentos cômicos e uma aventura fascinante, que mesmo sendo misturada com ficção, é um choque de realidade. Nesta análise o grande tema foi à existência, pois após pensar nestes primeiros capítulos, o leitor se depara com a luta por meio da razão e suas extensões. Para Agilulfo, dormir era não manter uma consciência segura de si; Calvino nos faz pensar se temos certeza da existência do mundo e de nos mesmos.

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Profa. Maria do Carmo


Ai, Ai, Ai!

Essa observação do paradoxo foi demais!

Parabéns, Lorena.


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A inexistência de um ser pensante | Lucas Caetano Gomes

O objeto de análise em questão foi escrito em 1959, pelo escritor Ítalo Calvino. Ítalo nasceu em Cuba, mas viveu sua vida na Itália, inclusive foi da resistência ao fascismo e participou do Partido Comunista até 1956 – três anos antes de publicar “O Cavaleiro Inexistente”.

A obra está inserida na época em que Carlos Magno dominava a Europa e a Igreja Católica retomava sua importância, após ficar defasada juntamente com o Império Romano. A história descreve uma parte da carreira militar de Carlos Magno, e mostra o rei como uma pessoa carismática e um pouco cruel, descreve como funcionavam as batalhas no séc. VIII e como era a organização dos guerreiros paladinos.

Tudo começa com a apresentação dos cavaleiros ao rei Carlos Magno. Ele cumprimenta um por um na fila, e quando chega ao último cavaleiro da fila, o rei descobre a inexistência do mesmo. De nome gigante do qual não me recordo a não ser o primeiro: Agilulfo, “O Cavaleiro Inexistente” faz sua primeira aparição na história.

O ponto mais incrível, é que mesmo não existindo, Agilulfo age como um ser pensante, que fala, resolve operações, aconselha e lidera, características essas que atraem Rambaldo, um garoto que tem como único objetivo vingar o assassinato de seu pai.

Um pouco mais adiante, quando já estão a caminho da batalha, Carlos Magno encontra Gurdulu, um ser que contrasta com o inexistente Agilulfo, pois Gurdulu existe, mas não tem consciência de sua existência, Gurdulu imagina ser qualquer coisa, menos o que realmente é.

Magno, fazendo uma sátira com seu perfeito inexistente, convida o existente sem convicção de existência para ser escudeiro do inexistente ser pensante. Enquanto todos os outros riam, Agilulfo aceita com seriedade a proposta, mas Gurdulu some.

Quando a tropa chega no local da batalha, Rambaldo sai em busca de sua vingança enquanto os outros lutam e consegue, depois de enfrentar o adversário errado, vingar seu pai. Com a vitória dos cristãos de Carlos Magno, todos voltam ao acampamento, inclusive Gurdulu, que passa a trabalhar na cozinha.

Até esse ponto da história, não é possível identificar um clímax, apenas uma introdução agitada do que está por vir na história. Os próximos capítulos devem apresentar certo mistério, com a revelação da narradora que escreve sem dar pistas sobre como ela sabe tudo o que sabe, e faz o leitor duvidar da sanidade mental da narradora, pois vive trancada em um convento, o que faz Agilulfo parecer invenção cabeça dela, pois ele é perfeito, e a perfeição não existe no ser humano.

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Profa. Maria do Carmo


A análise apresentada é um exemplo de percurso temático, seleção e organização das informações obtidas na roda de leitura e da própria leitura. Além disso, é louvável o humor que ele imprime à análise, aspecto observado na narrativa de Ítalo Calvino.

Parabéns, Lucas


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A inexistência leva à existência | Larissa Tiemi

A obra “O cavaleiro inexistente” escrito por Ítalo Calvino em 1959, é um romance de cavalaria, faz parte de uma trilogia com nome de “Os nossos antepassados”. O contexto está relacionado a Carlos Magno, um grande imperador que tinha como objetivo fazer com que os povos se convertessem ao catolicismo e ao juntar vários povos se tornou Rei dos Francos. Magno se tornou uma figura decisiva no desenvolvimento da civilização medieval. Ítalo Calvino, o autor da obra, nasceu no ano de 1923 em Santiago, morou em Turim onde fez doutorado a partir de uma tese sobre Joseph Conrad, publicou sua primeira obra em 1947.

A história passa-se na França no século VIII e tem como personagem central Agilulfo o próprio “cavaleiro inexistente”. No primeiro capítulo já se pode ter um primeiro contato com um dos personagens que é Carlos Magno que aparenta ser uma pessoa cansada, de idade avançada, mas ao mesmo tempo um rei comum, uma pessoa como qualquer outra; o rei dos Francos conhece Agilulfo, o personagem principal que será seu cavaleiro na guerra. O cavaleiro apresenta-se com uma bela armadura e tem-se a impressão de ser um personagem seguro, bem resolvido e a riqueza de detalhes com a qual Agilulfo é descrito fazem com que se crie uma expectativa em relação ao cavaleiro e apesar dele ser literalmente inexistente, esses detalhes dão a impressão de que ele existe.

Surge então Rambaldo, um jovem aspirante à cavaleiro que tem como objetivo vingar a morte do pai e para isso, pede “conselhos” a Agilulfo. No terceiro capítulo, temos a presença de outro personagem, Gurdulu que, apesar de possuir um corpo, é inexistente, pois não tem identidade; imita ações de outros seres e depois, acaba se tornando o escudeiro de Agilulfo.

Pode-se perceber que há uma relação entre Agilulfo, Rambaldo e Gurdulu, as características de um completam o outro, pode-se perceber esse complemento entre Agilulfo e Gurdulu, pois Agilulfo é nulo de emoção e é movido pela razão enquanto Gurdulu é nulo de razão e é movido pela emoção.

Essa obra nos permite várias interpretações em relação ao personagem e a história em si. A riqueza de detalhes com a qual Ítalo Calvino descreve faz com que os leitores criem uma expectativa em relação aos próximos capítulos e ao personagem principal, pode-se dizer que na mente de Agilulfo, a inexistência leva à existência.

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Profa. Márcia Celestini


Ótimas associações e relações. E um final muito interessante, fechado com um belo jogo de palavras!


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Contrários que se completam |Camila Eguchi

O objeto dessa análise é o romance “O Cavaleiro Inexistente”, o qual trata-se de uma sátira das novelas de cavalarias escrita por Ítalo Calvino, em 1959. A obra faz parte da trilogia “Os Nossos Antepassados”, juntamente com as obras “O barão nas árvores” (1951) e “O visconde partido ao meio” (1957). Ítalo Calvino era cubano, nascido em 1923. Dirigiu-se à Itália com a família logo que nasceu e lá participou da resistência ao fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Foi também membro do partido comunista italiano ate 1956.

A história narrada passa-se no verão da Europa medieval, principalmente na França. O imperador era Carlos Magno, que se mostra muito dedicado e bravo, devido às inúmeras conquistas durante seus catorze anos de reinado.

A apresentação de Carlos Magno dá-se na revista aos paladinos, que é feita com certa comicidade. O fato de ele ser imperador não significa que ele é um exímio soberano. Ele contraria todos os princípios de etiqueta e formalidade, quebrando todo paradigma que há em torno de um imperador. A relação entre imperador e paladinos beira o desleixo, o que é demonstrado logo que Agilulfo, um paladino, é apresentado a Carlos Magno, que, ao saber que Agilulfo não existe, mostra-se indiferente.

Agilulfo, o cavaleiro inexistente, pode ser considerado exemplo de dedicação e disciplina, mesmo não existindo. A razão talvez seja sua maior aliada, incentivando-o cada vez mais na busca da perfeição, demonstrando que, com seu comportamento antipático, julga-se superior em relação aos outros. A razão também é o que o mantém vivo, o que faz com que ele não se perca.

Em uma passagem do exército de Carlos Magno por uma estrada que beira um pântano, surge Gurdulu, que acaba sendo nomeado escudeiro do cavaleiro inexistente. O inquietante Gurdulu é um homem muito curioso, imita animais, plantas e tudo que estiver ao seu redor, chega até a conversar com seu próprio pé, mostrando ser o contrário de Agilulfo.

No entanto, Agilulfo e Gurdulu, ao mesmo tempo em que contrastam entre si, completam-se, ao passo de que o primeiro não existe mas possui consciência disso, enquanto o outro existe mas não tem consciência disso.

A leitura dos cinco primeiros capítulos já evidencia a disparidade entre os dois personagens apresentados, que protagonizarão um romance de cavalaria às avessas, marcado por humor e honra.

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Profa. Márcia Celestini


Um romance de cavalaria às avessas"! Bela síntese, fruto de uma leitura comprometida e de um texto muito bem desenvolvido.