Textos produzidos por nossos alunos, também considerados fonte de estudo já que os mesmos são acompanhados de comentários dos Professores.

O 1o. ano do EM começa seus estudos literários com o clássico A outra volta do parafuso, de Henry James. Como a literatura aparece pela primeira vez como objeto de estudo nessa série, os alunos são motivados a confrontarem as características do romance com as dos contos. E é nesse momento que são estimulados a produzirem seus próprios contos. Temos aqui representado esse investimento que fazem na escrita literária com todos os desafios que impõe: a estrutura própria do conto, o estilo individual, os recursos de linguagem, a trama bem elaborada...confiram o trabalho de nossos contistas!

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A verdade da ficção | Beatriz Nobile, 1º ano/EM

Partindo do conceito de que a ignorância alheia era contagiosa e tóxica, Elizabeth aproveitava as longas tardes, sozinha no internato, para ler seus livros. Era amante da leitura e aspirante à escritora.

Também era, de fato, uma exceção, e gostava de se sentir assim. Poderia muito bem fazer suas leituras na praça, rodeada de pessoas que sequer a notariam, mas o burburinho presente no local a incomodava, por isso preferia ficar no longo corredor que ligava a sala de teatro ao resto do prédio, onde conseguiria deixar-se vagar nas palavras impressas nas folhas arroxeadas.

A menina era, mais que tudo, apaixonada por clássicos, como Júlio Verne, William Shakespeare e Victor Hugo, entretanto, naquele dia, tinha um livro desconhecido, de suspense em mãos. Achara-o enquanto mexia nas coisas de sua falecida avó.

Sentada no chão frio, curtindo o silêncio, com o livro sobre os joelhos, não percebeu o tempo passar e, quando se deu conta, já estava nas últimas páginas.

A tênue linha entre ficção e realidade estava quase imperceptível. Elizabeth poderia jurar sentir o forte cheiro de queimando – além da temperatura aumentando – descritos no livro.

Virou a folha, ansiosa, encontrando-a em branco. Torceu para que fosse uma falha na impressão, contudo, as páginas seguintes também estavam vazias.

Desespero tomou conta de sua expressão quando, indignada, voltou às páginas já lidas e as encontrou sem nada escrito. Não estava louca, afirmava para si própria enquanto se levantava para sair, encontrando o anfiteatro na sua frente em chamas.

Olhou sobre o ombro para as salas no fim do corredor, encontrando-se sem saída. Com o livro segurado firmemente sobre o peito, seguiu em direção ao teatro, decidindo que, se fosse para morrer carbonizada, ao menos saberia o que causara o fogo.

Forçou a porta entreaberta, sem conseguir movê-la. Tentou novamente, espiando pela abertura o interior do local ser consumido por labaredas arroxeadas. Estranhou, de início, entretanto no instante seguinte cogitou acreditar que estava ficando louca e vendo coisas devido ao nervosismo.

Deixou o livro cair das mãos trêmulas, atingindo o chão e abrindo-se na folha de rosto, revelando o imponente símbolo de Alvura Púrpura – biblioteca criada por um milionário morador da cidade para sua mulher, leitora ávida, na qual guardava um exemplar – de folhas brancas e bordas em degradê púrpuro – de todos os livros já lidos pela francesa.

Elizabeth lembrou-se de quando viu no jornal a notícia de que após vários rumores, a biblioteca não existia mais e todas as obras haviam sido doadas às estantes públicas.

Não se sabe ao certo o que aconteceu com Elizabeth Bach naquela tarde, mas o próximo leitor curioso terá a oportunidade de descobrir a história da jovem, que no momento se encontrava jogada no chão.

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Profa. Maria do Carmo


É muito interessante o que a Beatriz construiu no conto que escreveu.

O narrador cita que, no livro desconhecido: "A tênue linha entre ficção e realidade estava quase imperceptível" (5º parágrafo). E ao continuar narrando a situação vivenciada pela personagem "Virou a folha, ansiosa, encontrando-a em branco"; "voltou às páginas já lidas e as encontrou sem nada escrito", ela apresenta um exemplo desse contraste entre a fantasia e realidade.

Parabéns, Beatriz


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Um breve eterno amor | Fernanda Zaggia, 1º ano/EM

Era sábado de manhã, Rafael acordou cedo, sentindo-se muito bem e disposto a ter um ótimo dia. Saiu em sua varanda, viu o parque tão vazio quanto à cidade em dia de neve, transmitindo uma paz e tranquilidade imensa para quem observava.

Após chegar de uma longa caminhada, tomou um banho revigorante e saiu para almoçar no centro de Nova York, em um restaurante que havia acabado de ser inaugurado. Sentou-se em uma daquelas mesas estreitas; daquele lugar sossegado com cheiro de comida fresca de dar água na boca; O lugar era bem iluminado, arejado, enfeitado com quadros com significados que, provavelmente, alguém jamais conseguira entender, sem ao menos ter dúvida.

Chamou o garçom que foi veloz como um relâmpago e pediu apenas um suco de frutas e continuou folhando o cardápio que descrevia pratos dos mais variados e que não faziam parte de seu hábito alimentar, mas que lhe despertaram o interesse. Indeciso, Rafael acenou para a garçonete que veio em sua direção com passos leves e delicados como os de uma bailarina. Ele perguntou: “Gostaria de uma opinião: qual o prato que normalmente agrada a maioria dos clientes?” Olhando diretamente para seu crachá, leu que o nome era Helena. Ela, envergonhada da maneira como Rafael a olhou, apontou para o prato de sua preferência e logo voltou ao trabalho com borboletas em seu estômago.

No dia seguinte, Helena não conseguia pensar outra coisa que não fosse o olhar do misterioso rapaz e sua curiosidade foi apenas aflorando-se cada vez mais em que pensava em seu nome e o porquê daquele olhar.

Horas depois, arrumou-se e foi ao trabalho dar início ao seu expediente e para sua surpresa, lá estava Rafael sentado à mesma mesa do dia anterior e aparentemente a sua espera. Não se contendo, Helena perguntou seu nome, mas isso pouco interessou, só conseguia olhar fixamente para aqueles olhos verdes mais brilhantes do que diamante, nem se lembrava que seu emprego corria riscos.

Surpreso, respirou fundo e disse seu nome percebendo a intensidade de seu olhar, aproveitando a oportunidade, roubou-lhe um beijo apaixonante da moça que tomou coragem e disse: “ Pare! Não podemos fazer isto aqui! Mas quero que aceite meu pedido e saia comigo assim que meu horário de trabalho acabar”. Sem pestanejar, Rafael aceitou o convite e voltou para casa sorridente, vestiu sua melhor roupa e foi ao encontro no mesmo restaurante. No caminho, era notável sua agitação e àquela altura, sabia que estava apaixonado pela garçonete, mas o que não sabia era que Helena sentia o mesmo por ele.

A noite foi maravilhosa, estavam vivendo um filme, o melhor deles. O próximo encontro já estava marcado. Seis horas da tarde, Helena estava pronta muito antes e Rafael mal conseguia esperar pelo ônibus, fazia anos que não amava, verdadeiramente, uma mulher, desde seu primeiro casamento, enfim sentia-se vivo, mais alegre do que nunca.

Sem atrasar um segundo a mais, Rafael aguardava a mulher de seus sonhos, e, como o esperado, a noite foi empolgante, os melhores dias de suas vidas vividos intensamente, sentiam-se infinitos, parecia que aqueles tempos nunca acabariam.

Na volta para casa, não queriam apressar o final, continuavam conversando e o passeio do dia seguinte seria em um parque dessa vez. Felizes e ansiosos, Helena foi para seu carro e Rafael tomava seu ônibus. Despediram-se como se fosse a última vez e uma sensação ruim tomou conta de seus corações jovens.

Acomodou-se no primeiro banco do transporte, desceu no ponto da esquina se sua casa quando percebeu que estava sendo seguido por três moleques embriagados. Com medo, decidiu andar mais rápido no momento em que um deles se adiantou e disse: “Passe todo o seu dinheiro e não reaja se quiser sair dessa.” Rafael precisava de seu dinheiro, pois levaria Helena ao parque logo pela manhã. Reagiu, lutou, o que foi uma péssima ideia porque eles estavam armados e deram um tiro certeiro em suas costas. Ele caiu imediatamente no asfalto diante daquela noite sombria.

Na mesa do restaurante, Helena aguardava o amor de sua vida, ansiosa e com altas expectativas, mas horas se passavam e sem receber alguma mensagem em seu celular, angustiada, permaneceu sentada esperando que Rafael entrasse pela porta e viesse logo lhe dar um forte abraço e toda aquela agonia chegaria ao fim.

Mais algumas horas e nada. Helena já estava desesperada sem notícias. O restaurante estava fechando suas portas e foi embora naquela noite, e no dia seguinte, lá estava ela, no mesmo lugar, com os mesmos sentimentos implorando para que em algum momento, quando chegasse no restaurante, visse Rafael sentando à mesma mesa em que estava na primeira vez que sentiu algo extraordinário.

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Profa. Márcia Celestini


Em qualquer narrativa, um dos momentos mais esperados para o leitor é o desfecho: “como será que isso tudo vai acabar?”. E a Fernanda consegue, a partir de uma situação quase cotidiana, transformar o enredo (e seu desfecho) em algo tocante...extraordinário.

Parabéns!


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Megan | Gabrielle M. Catalan, 1º ano/EM

Era uma tarde de sábado e a praça de alimentação do shopping estava lotada. Pessoas caminhavam apressadamente para todos os lados, carregando bandejas cheias de lanches gordurosos dos piores tipos, enquanto era possível ouvir tilintares de garfos e facas, chocando-se contra os pratos cheios. As mesas quadradas, dispostas em todos os cantos, estavam lotadas. Maya, uma menina de três anos, faminta e curiosa, caminhava junto com sua mãe pela praça.

– Venha, Maya. Vamos procurar uma mesa. – A mãe disse, segurando o pulso direito da menina, que estava entretida com uma das inúmeras vitrines de brinquedos das lanchonetes. Os olhos da pequena brilhavam por uma das bonecas de cabelos cor-de-rosa. Relutante, saiu da frente da vitrine e continuou caminhando junto à mãe, com as pernas curtas que não conseguiam acompanhar tão facilmente o ritmo rápido das pessoas da cidade grande.

Tudo parecia muito apressado aos olhos de Maya, que ouvia apenas barulhos altos de conversas atravessadas, liquidificadores, toques altos de celulares e números vermelhos piscando ruidosamente acima de quase todas as lojas da praça de alimentação. A menina, com fome, sentia o cheiro de batatas fritas que vinha de uma loja próxima e queria encontrar rapidamente uma mesa para que pudesse comer. Cerrou os olhos e conseguiu encontrar uma mesa ao longe, próxima de uma das lanchonetes mais distantes de onde elas estavam.

Com um puxão, soltou-se da mãe e saiu correndo, rumo à mesa livre, afinal, a mãe ficaria feliz e elas poderiam comer, pensou Maya. Em um piscar de olhos, já estava distante da mãe – e aparentemente, ainda mais distante da mesa, que agora não conseguia mais enxergar. Estava tudo lotado novamente. A pequena garota suspirou, chateada. Quando se virou para voltar para sua mãe, não a encontrava. Olhou para todos os lados, com os olhos arregalados e cheios de lágrimas e não a enxergava em nenhum lugar.

– Mamãe? Mamãe? – Chamava cada vez mais alto e com mais lágrimas escorrendo dos olhos. Pôs-se a chorar descontroladamente, enquanto fugia dos desconhecidos que passavam com olhares preocupados.

Maya abriu os olhos, ainda úmidos, e tudo estava escuro. Em sua frente, uma luz cor-de-rosa brilhava intensamente, o que fez com que a menina levasse as mãos aos olhos.

– Maya? – Uma voz fina surgia do brilho. Ela espiou por uma fresta entre os dedos que ainda repousavam em seu rosto e fez uma expressão surpresa, deixando os lábios em forma de “o”. Quando percebeu, a boneca estava lá. A mesma, que antes enfeitava uma das vitrines da praça de alimentação, agora parecia uma pessoa de verdade, conversando com a menina.

– O que...? – Maya apontou para a boneca e com sua voz de criança que ainda não sabia pronunciar tudo perfeitamente, indagou o que acontecia naquele momento.

– Estou aqui para ajudá-la! Não chore, pequena Maya. – A boneca de pano de cabelos cor-de-rosa ainda permanecia ali e agora sorria carinhosamente para a pequena garota confusa. O brilho começou a se dissipar e a garota abriu a boca para começar a falar algo, mas foi interrompida pela boneca, que segurou sua mão e começou a caminhar. A praça parecia vazia e sem som agora, ocupada apenas pela garota e sua boneca, ambas caminhando juntas, em passos curtos e silenciosos.

Após alguns minutos, chegaram até o outro lado da praça de alimentação, onde havia um balcão com alguns telefones silenciosos e uma mulher de costas para Maya, falando sem emitir ruído algum com a cadeira vazia atrás do balcão. Ela parecia preocupada, com postura tensa e rosto molhado pelas lágrimas que escorriam sem controle.

– Mamãe? – Gaguejou, aproximando-se das pernas da mulher no balcão e puxando a calça jeans levemente para chamar a atenção dela. A garota soltou um suspiro de alívio quando o chamado funcionou e ela virou-se – era realmente sua mãe. A mulher surpreendeu-se, levando ambas as mãos aos lábios e logo abaixando para pegar sua filha no colo. Vomitou as palavras, rapidamente, abraçando forte a pequena garota:

– Oh, Deus! Estava tão preocupada, não faça mais isso! O que é isso? – A mãe olhou curiosa para a boneca que Maya segurava, feita de pano, simples e com chamativos cabelos cor-de-rosa.

Maya percebeu então o movimento contínuo da praça de alimentação que nunca descansa; as pessoas à sua volta que continuavam caminhando apressadas e o “bip” das máquinas que não cessaram. Percebeu também que abraçava uma boneca sem vida, cujo sapato prendia uma etiqueta com letras douradas que estampavam um nome: Megan.

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Profa. Maria do Carmo


Nas aulas de leitura, foram destacados, além da estrutura do gênero; elementos que o compõe e as tipologias presentes, outros recursos estilísticos assim como o efeito que os mesmos produzem. Os alunos foram estimulados a transpor para seus contos os estilos com os quais se identificaram.

É visível no conto da Gabrielle, no primeiro parágrafo, a presença e elementos sensoriais que possibilitam a formação de imagem. Existe, ainda, uma riqueza de detalhes na descrição e narração dos fatos. Essa forma de contar, ampliando características, valorizando as ações é que marcam o gênero.

Parabéns, Gabrielle!


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Encontros por separações | Priscilla Olinda, 1º ano/EM

Há dezoito anos, em Holambra – SP, nasceu uma linda menina, ruiva de pele branca. Era a pequena Lily, filha única de uma clássica família paulistana, pais empresários. A menina sempre teve tudo o que desejou em sua vida, no entanto, não sabia que chegaria uma época em que teria de aprender a lutar por seus próprios interesses e tomar decisões sozinha. Ela cresceu, concluiu o Ensino Médio e a citada época chegou. Ao completar dezoito anos, seu pai sr. Marco, percebendo a ainda dependência da filha, incentivou-a a morar fora do país, ingressar na faculdade em países estrangeiros.

A mãe, sra. Juliana, muito apegada à menina, não concordava, e por isso, conseguiu que Lily permanecesse no país por mais seis meses, onde, segundo ela, a jovem ingressaria em um curso preparatório para prestar o definitivo vestibular que prometia transformar sua vida. Lily adorou a ideia, pois mesmo estando decidida quanto a sua profissão desde quatorze anos, admirando muito o nível de excelência das universidades estrangeiras e tendo seu inglês fluente, ela temia a separação dos amigos e da família.

Lily então iniciou seus estudos no curso preparatório, a universidade, no centro de SP, tinha turmas específicas que focavam nas habilidades referentes a cada profissão, a turma da jovem, de medicina, contava com oito estudantes, que ao saberem a oportunidade que a garota possuía em mãos, a invejavam e não compreendiam como ela ainda tinha dúvidas em aceitar a proposta do pai. Os três primeiros dias passaram e Lily continuava refletindo, sendo pressionada por seu pai em sua decisão, contudo, uma tarde de sexta-feira mudaria totalmente o rumo de sua vida.

Andando apressada pelo escuro e pouco ventilado corredor da universidade, indo já atrasada, para a palestra no centro de estudos, Lily esbarrou em um garoto e isso fez com que seus livros, papéis e anotações caíssem. O jovem, muito prestativo, ajudou-a a recolher, desculpou-se e ambos seguiram seus caminhos. Todavia, eles perceberam que haviam virado no mesmo corredor, e que portanto, dirigiam-se ao mesmo lugar, o fato exigiu a apresentação, eles cumprimentaram-se e, ainda sem saber, Lily havia acabado de conhecer a pessoa pela qual se apaixonaria.

E não demorou muito, ao final daquela mesma palestra, ela e Rodrigo conversaram por horas e sem que eles soubessem, suas almas marcaram encontro. Todas as tardes inventavam uma desculpa para permanecerem no centro de estudos e “estudarem juntos”, logo, descobriram afinidades. Lily não sabia dizer o que mais admirava nele. Aos seus olhos ele era simplesmente perfeito, em sua simplicidade preenchia seu coração, e o sentimento era recíproco, eles estavam perdidamente apaixonados um pelo outro.

A partir desta descoberta, suas vidas transformaram-se, eles tinham necessidade um do outro, e já não passavam uma só tarde sem se verem. Contudo, dias e mais dias e era chegada a hora da decisão de Lily. De um lado ela possuía a oportunidade que qualquer um desejaria de estudar fora do país e do outro, a pessoa pela qual apaixonou-se perdidamente, que só reforçava sua dúvida em separar-se de sua família, amigos e agora, seu namorado.

A jovem estava enlouquecendo com esta dúvida, sr. Marco, ainda mais, já sabia que, com a chegada de Rodrigo na vida de sua filha, ela ficara ainda mais confusa, sendo assim, mesmo conhecendo o rapaz e sabendo de sua boa índole, o pai desaprovava o namoro, e Lily, tendo conhecimento desta situação, sabia que possuía uma grave decisão em mãos, já que inevitavelmente, magoaria pessoas as quais ela amava.

O tempo estava esgotado, o curso preparatório havia chegado ao fim, era o momento de prestar o vestibular e comunicar sua decisão a todos. Após muito refletir, Lily, com enorme pesar, porém tomada pelo imenso amor que sentia por Rodrigo, optou por ficar no país. Difícil foi a conversa com seus pais.

Sra. Juliana apoiou-a, mesmo sabendo a oportunidade que a filha deixara para trás, alegrava-se com o fato de que sua eterna menina continuaria a alegrar seus dias. Em contrapartida, tamanha foi a decepção de sr. Marco, ele ainda argumentou, mas a menina estava terrivelmente decidida, o que nada o agradou. Ao comunicar a Rodrigo, o jovem explodiu de felicidade, sua amada permaneceria ao seu lado! Ele confessou-lhe que não esperava, pois enfatizou que oportunidades como a dela não são todos que possuem, ele, por exemplo, bem que tentou uma bolsa de estudos no Canadá, contudo não obteve resposta. Que sonho seria! E ela, que independente de bolsas e cotas, escolhera ficar ao seu lado. Esta, sem dúvidas era uma das maiores provas de amor que alguém poderia receber.

Logo no próximo fim de semana, o casal prestou o vestibular em universidades públicas e federais de São Paulo a seus respectivos cursos e a expectativa foi enorme! E sem que ela soubesse, surpresas começariam a chegar na vida de Lily. Ao retornar da estressante prova de vestibular, o pai a aguardava na sala da casa, recebeu-a comunicando que assim como ela também havia tomado uma importante decisão: a partir daquele dia, ela não moraria mais com eles, teria de trabalhar e lutar por seus próprios interesses. A menina levou um susto, mas não teve nem como contestar, tendo em vista os últimos acontecimentos.

A mudança ocorreu já no dia seguinte, sra. Juliana era só choro, o pai, fizera um último investimento na filha, comprara-lhe um apartamento simples, lá seria sua nova casa, e, ainda, conseguira a ela um emprego como secretária em um de seus escritórios, o resto, ela teria de prover. Lily ficou triste, mas teve de acatar sem reclamações, afinal, ela escolhera assim. Desde então, sua vida foi uma constante luta: trabalhando, estudando, o que a confortava era a presença do namorado, que já acostumado a essa rotina, apoiava-a.

Seis meses passaram, a jovem começou a conscientizar-se de como sua situação era instável e só então teve dimensão da oportunidade a qual deixara escapar. Eis que em uma noite de quarta-feira, em sua visita habitual, Rodrigo chegou até a amada levando novidades, as quais ele julgava maravilhosas: o homem havia conseguido sua sonhada bolsa de estudos no Canadá. Ao deparar-se com a notícia, Lily sorriu, congratulou-o e continuou seus afazeres, tranquila de que o namorado, assim como ela, recusaria a proposta, contudo, mais cinco minutos de conversa e ele citou a frase que derrubou seu mundo:

―Te ligarei todos os dias meu bem...

Só então o desespero a consumiu, e ela sem entender, indagou:

―Você vai?

Sem hesitar, Rodrigo disse que sim. Ela não podia acreditar, caiu no choro, e surpreso ele questionou:

―Você achou que eu recusaria? Uma oportunidade dessas significa muito para mim!

Lily continuou sem acreditar:

― Eu abandonei a chance que tive para permanecer ao seu lado e você retribui este sacrifício assim? Na primeira oportunidade, vai, sem olhar para trás?

O jovem não respondeu, apenas disse que a amava e partiria no sábado. Com sua vida de pernas para o ar, só restou-lhe a solidão, convivendo diariamente com o peso de suas escolhas.

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Profa. Márcia Celestini


A Priscilla, com muito estilo, escreveu um conto...de fadas...moderno! Entre sonhos, decepções e rearranjos, a vida segue! Parabéns pela visão singular que conferiu ao enredo!


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O corredor secreto | Rachel, 1º ano/EM

Era por volta das 15 horas, quando eu ainda estava na portaria da escola esperando minha mãe. Eu sabia que algo errado estava acontecendo, pois ela sempre chegava logo quando acabava minha aula, porém já fazia duas horas que eu a estava esperando. Tentei conter meu medo e me acalmar, aquele vento gelado da portaria me causava calafrios.

Decidi andar pela escola, pois aquela portaria me dava tédio. Quando cheguei ao corredor da escada, encontrei Isabella ajoelhada no chão, recolhendo seus cadernos, parecia que um furacão tinha passado por ela. Foi quando eu perguntei:

― O que aconteceu, Isa?

Seu rosto estava pálido e ela parecia não estar entendendo nada que eu falava.

― Eu não sei exatamente, mas estava saindo da sala quando ouvi um barulho ensurdecedor e um cheiro horrível de lixo, de repente um vento extremamente forte me empurrou para frente e eu acabei desmaiando – disse ela.

Fui ajudá-la a colocar as coisas na mochila. Nunca tinha percebido, mas aquele corredor era muito escuro e gelado, eu geralmente não costumava ficar muito tempo lá.

Então uma coisa super terrível aconteceu, foi a coisa mais estranha que presenciei em toda minha vida.

Levantei para tentar manter a situação sob controle, mas eu já não sabia o que fazer, nunca fui de ter tanto medo das coisas, porém não entendia o que era aquilo.

As poucas luzes fracas que iluminavam aquele corredor se apagaram e as portas se fecharam de repente dando-me um susto horrível, como naqueles famosos filmes de terror. Lá fora ventava muito. Na hora fiquei muito assustada e sem reação, mas não sei bem por que, me senti corajosa e com vontade de saber o que estava acontecendo naquele corredor.

Então falei para Isa:

― O que está acontecendo aqui?

Quando olhei para trás, Isa não estava lá, nem os materiais e o livro que eu havia deixado cair com o susto. Percebi que ninguém mais poderia fazer nada, pois não havia ninguém lá. Então fiz a primeira coisa que me veio à cabeça: comecei a empurrar a porta principal que dava para saída da escola, mas nada, chutei-a, bati, forcei, mas nada, meu pânico já estava saindo do controle, comecei a chorar e gritar.

Acho que em toda minha vida nunca gritei tanto por ajuda. Nisso ouvi um barulho de porta abrindo, senti até um alívio no meu coração.

Um homem meio velho, magro, de altura mediana, sem barba e de óculos; olhos castanhos claros e cabelos grisalhos. Ele Trazia na mão um molho de chaves enorme, olhou para meu rosto e disse:

― Quem é você e o que está fazendo aqui?

Fiquei meio receosa em responder, mas falei:

― Meu nome é Nathalia e eu estudo nesta escola.

O homem ficou me encarando, e depois de algum tempo pensando, finalmente falou:

― Mas o que esta fazendo aqui?

― É uma história muito complicada - falei- Fiquei presa aqui de alguma forma e comecei a entrar em pânico...

Eu sei - ele disse- Você não é a primeira, mas enfim, venha comigo que eu abrirei a porta para você ir embora, mas cuidado, pois uma vez amaldiçoada nunca mais...

― Não, não continue, por favor. Não quero me sentir pior do que já estou.

O homem balançou a cabeça, como um sinal positivo, me levou até a porta, e a abriu. Falei obrigada para ele, virei as costas e sai correndo para a recepção. Já estava anoitecendo, liguei para minha mãe e fui embora sem nada esclarecido.

Quem me dera aquela história tivesse sido apenas um sonho, e que eu acordasse e nada disso tivesse acontecido, porém não foi bem assim.

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Profa. Márcia Celestini


O conto da Rachel daria um belo roteiro cinematográfico...com suspense, inquietações e hipóteses...belo exercício de escrita


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O dia que minha vida mudou | Lara Araújo, 1º ano/EM

Eu me lembro de que doía, me lembrar daquele dia doía.

Onze de setembro de 2001, esse dia marcou a vida de toda população mundial e para mim não foi diferente.

Meu nome é Charlotte Stone, tinha dezessete anos e morava em Nova York com minha mãe que vivia viajando a trabalho. Nós tínhamos uma vida normal e minhas únicas preocupações eram: saber se se eu seria aceita na Universidade de Stanford, se eu terminaria o ensino médio e quem me convidaria para o baile de formatura. Mas, minha vida começa a mudar radicalmente alguns dias antes, quando estava tomando café da manhã na pequena mesa redonda de casa quando minha mãe recebe um telefonema de seu chefe dizendo que ela precisaria viajar para Los Angeles para uma reunião que ele dizia ser muito importante. Ela viajaria no dia onze, me deixando sozinha mais uma vez; Eu já estava acostumada, mas odiava me sentir sozinha.

Na manhã do dia nove, dois dias antes de sua viagem, eu estava me arrumando para ir ao colégio e vi que ela estava em seu quarto com uma grande mala vermelha em cima da cama já com algumas peças de roupa lá dentro. Despedi-me dela com um leve abraço e fui a pé para escola, pois estudava bem perto de casa.

Caminhei por apenas dez minutos até chegar à escola, estava começando a esfriar e as folhas das árvores estavam começando a amarelar, pois era quase outono, mas eu não me importava, pois era minha estação preferida. Quando cheguei ao colégio, vi que minhas amigas estavam sentadas em um corredor que tinha várias rampas e escadas que davam acesso às salas de aula. Aquele lugar, com as paredes laranja, onde havia inúmeros quadros e bancos era o nosso ponto de encontro desde o dia que nos conhecemos. Sentei-me ao lado delas e começamos a conversar sobre o baile de formatura que aconteceria no dia seguinte. Elas já tinham comprado seus vestidos, separado sapatos e arranjado seus pares, enquanto eu não havia resolvido nada, não tinha nem par ainda e minhas esperanças de que James, o menino por quem eu era apaixonada me convidasse já haviam se esgotado.

Fomos para sala de aula, pois como sempre, estávamos atrasadas. Sentamos e começamos a prestar atenção na matéria de sociologia já que teríamos prova na próxima semana.

No final do dia despedi-me delas e fui pra quadra da escola. Sentei-me no chão, que antes era todo verde, mas por conta de tantos jogos que já ocorreram ali, começou a se desgastar. Peguei uma folha de papel e comecei a desenhar os enormes prédios que ficavam ao redor da escola, de repente, James chegou e se sentou ao meu lado. Começamos a conversar, conversamos por tanto tempo que me esqueci de que tinha que ir embora. Mas antes de me levantar e ir, ele me perguntou se eu queria ir ao baile com ele! Fiquei tão feliz que não conseguia parar de sorrir. Ele também sorriu e disse que me buscaria às 20:00, nos despedimos com um abraço e fui embora para casa.

Minha mãe estava na cozinha fazendo café como sempre fazia, contei a novidade a ela e ela ficou muito feliz por mim, até me ajudou a escolher um vestido! Liguei pra minhas amigas e elas ficaram tão contentes quanto minha mãe, decidimos então, que iriamos nos arrumar juntas para a festa.

No outro dia, dia do baile, estávamos todas muito ansiosas, algumas delas tinham até feito reservas em restaurantes para depois do baile. James chegou na hora marcada e fomos no carro dele. Ao chegarmos à escola, vimos que a festa estava acontecendo no pátio, havia várias luzes coloridas, um lustre branco no teto, a banda contratada tocava uma linda canção dos Beatles e tinha até uma fonte de ponche, enfim, estava tudo perfeito.

Bem na hora da valsa, nossos olhos se encontraram e ele me beijou, disse que estava apaixonado por mim e que me convidar para o baile de formatura foi o melhor jeito que ele encontrou de demonstrar isso. Naquele momento, seria ridículo tentar esconder minha felicidade, eu o beijei mais uma vez e disse que também estava. Ele sorria de um jeito que seria impossível de esquecer, então voltamos a dançar.

Quando a festa acabou, ele me deixou em casa e nos despedimos. Entrei em casa me sentindo nas nuvens, estava tão feliz que nada tiraria meu sorriso, fui até ajudar minha mãe a terminar de arrumar as malas e contei tudo que havia acontecido na festa para ela. Já estava tarde quando fomos dormir e eu estava muito cansada, então quando amanheceu ela não quis me acordar, apenas deixou um bilhete dizendo que me amava e que voltaria de viagem em cinco dias.

Ao me levantar li o bilhete e liguei a televisão, já passava das 11:00 e por algum motivo todos os canais de televisão falavam da mesma noticia: o voo 175 da United Airlines saindo do aeroporto de Boston com destino a Los Angeles, havia sido sequestrado por um grupo de terroristas e se chocara com uma das Torres Gêmeas às 9:00.

Assim que o jornalista concluiu a notícia, eu literalmente desabei, não conseguia achar forças para respirar ou para qualquer outra coisa. Esse era o voo da minha mãe. Minha mãe, Miranda Stone, que viajava o mundo inteiro, a trabalho; que me criou sozinha; que era minha única família, estava no avião que se chocou com as Torres gêmeas, no dia onze de setembro de 2001.

Eu não tinha mais forças nem pra respirar. Sentia como se meu corpo estivesse sendo esmagado por tijolos, sentia como se estivesse me afogando, nenhuma dor em toda minha vida seria maior que essa.

De repente o telefone toca e mesmo não conseguindo falar, eu atendi, ouvi a voz de James que por sinal, estava apavorada.

- Charlotte! Charlotte! – ele gritava – Fica calma, não sai daí, eu já estou indo pra sua casa!

Eu simplesmente desliguei o telefone e tentei manter a calma como ele disse, mas infelizmente não funcionou. Comecei a olhar pela sala e vi que tudo iria me fazer lembrar dela: os móveis brancos, o espelho na parede que ela usava para se arrumar todas as manhãs, os porta retratos com nossas fotos, tudo mesmo, e não importava o que eu tentasse fazer, todas essas coisas seriam apenas memórias e eu nunca mais a teria por perto, a não ser que...

Eu não dei nem tempo para James chegar, fui correndo até o banheiro que ficava no andar de cima e abri o armário que ficava embaixo da pia e peguei um, apenas um, dentre os vários frascos de remédios e sem pensar duas vezes, engoli todos. O efeito foi instantâneo, mais rápido do que eu conseguiria me lembrar, não senti dor, não senti nada, eu iria me juntar a ela, me juntar a minha mãe, tudo começou a ficar escuro e os sons foram sendo abafados. A última coisa que ouvi foi uma voz, a voz de James do lado de fora da minha casa e a porta sendo arrombada.

Acordei numa maca de hospital com um tubo de soro na minha veia, não me lembrava de nada, não sabia como tinha ido parar ali, então uma enfermeira de cabelos longos e escuros entrou no quarto e disse:

- Sua sorte foi que seu amigo chegou a tempo. Você vai receber alta amanhã e já poderá voltar para casa.

Voltei a dormir e só acordei no outro dia quando minha tia Alison, que eu não via desde pequena, havia chegado. Ela estava sentada numa cadeira ao meu lado e quando viu que eu tinha aberto os olhos disse:

- Oi meu anjo, eu sei que você não está nada bem, mas eu te prometo que tudo vai melhorar isso vai passar, não pense em nenhum momento que está sozinha, por que você não está. Lamento muito te dizer isso mas infelizmente não acharam o corpo no meio dos destroços. Trouxe algumas roupas para você se arrumar, pois já posso te levar pra casa.

Apenas assenti com a cabeça e comecei a me trocar, quando saí do quarto fui direto para o refeitório do hospital, as paredes daquele lugar eram laranja, assim como as da escola. Vi que James estava lá, ele estava sentado ao lado da janela, deveria ser mais ou menos umas cinco da tarde, pois havia um lindo pôr do sol e os leves raios batiam em seu rosto. Quando me viu, ele se levantou rapidamente e me abraçou tão forte que chegou a doer, nunca havia sido abraçada assim. Quando finalmente me soltou, ele disse:

- Por que você fez isso?! Você acha que se matar é a melhor opção só por que sua mãe morreu?

- “Só por que ela morreu?!” Só? Ela era minha mãe, minha única família! Você não perdeu a sua num atentado! – eu gritei

Ele deu uma risada sarcástica e disse:

- Não sei se você se lembra, mas meu pai tinha um escritório em uma das torres! Ele também morreu, Charlotte! Mas diferente de você, eu não fui egoísta e tentei me matar na primeira oportunidade que tive! Eu fui correndo até sua casa por que eu me preocupo com os outros, não só comigo mesmo, fui até sua casa por que me preocupo com você.

Fique sem reação, eu havia acabado de perder minha mãe e só me preocupei comigo mesma, não pensei que meus amigos, meus vizinhos, o menino por quem eu era apaixonada poderiam ter perdido alguém também. Quando volto a encará-lo, começo a chorar e vou embora sem me despedir.

Minha tia estava me esperando na recepção do hospital para me levar para casa. Chegando lá, ela levou minhas coisas para o meu quarto e eu me sentei na cadeira da mesa de jantar, nesse momento, vi que tinha uma carta no chão, o carteiro devia ter deixado de manhã como sempre fazia, a carta era da Universidade de Stanford, abri-a imediatamente e comecei a ler; Eu havia sido aceita, fui aceita na universidade dos meus sonhos!

Aquela carta chegou para me dizer que eu não podia desistir, que eu deveria seguir em frente, que eu ainda tinha uma vida e que eu deveria vive-la. Quando minha tia estava descendo as escadas, eu a abracei e mostrei a carta a ela. E mesmo não sabendo que era meu sonho ou que eu havia me inscrito, ela ficou muito feliz por mim e me deu os parabéns. Não precisei nem pedir permissão, pois ela disse que eu poderia ir quando quisesse. Decidi então, que partiria no próximo final de semana, antes do semestre começar, o ensino médio já havia acabado e eu não iria a cerimonia de formatura, apenas passaria na escola para pegar meu diploma antes de ir.

Liguei para a direção de Stanford para ter certeza se poderia ir mais cedo e eles concordaram.

Arrumei minhas malas na sexta feira a noite, já que a viagem seria no sábado, tentava o tempo todo não me lembrar da minha mãe fazendo as malas antes de partir, mas era meio que impossível. Não quis me despedir dos meus amigos quanto menos de James, contaria a eles quando já estivesse lá.

Ao acordar no outro dia, me arrumei bem rápido, pois o táxi já estava me esperando, dei tchau para minha tia e fechei a porta.

Quando cheguei ao aeroporto, vi que estava com mais seguranças do que nunca, pensei comigo mesma que tomar previdências depois que o maior atentado aos EUA já havia acontecido e a vida de milhares de pessoas havia sido tirada, não adiantaria muita coisa, mas mantive isso apenas em minha mente. Fui fazer o checkin e voltava a lembrar de minha mãe e pensava que ela ainda estaria aqui se não tivesse chegado a tempo ou se o voo fosse cancelado. De repente, ouço alguém chamando meu nome e ao me virar, vi que era James. Ele corria muito rápido e quando chegou até mim disse:

- Liguei para sua casa pra me desculpar e dizer que fui um idiota por ter falado com você daquele jeito no hospital, mas sua tia disse que você já tinha isso embora, mas eu não podia deixar você ir sem me despedir, me desculpar e dizer que eu te amo muito e que se depender de mim, você nunca vai estar sozinha, eu vou te ligar todos os dias e sempre que der eu vou te visitar, afinal a Universidade de Nevada não fica muito longe, mas mesmo se ficasse, eu não me importaria, porque sim, eu amo você e...

Eu interrompi sua fala assim que o beijei e naquele momento eu me senti feliz mais uma vez.

Ser aceita em Stanford, que era o meu maior sonho, saber que o garoto por quem eu era apaixonada me amava e entender que eu não estaria sozinha me fez sentir que apesar de ter perdido minha mãe e minha vida ter virado de ponta cabeça eu conseguiria continuar, seguiria minha vida e ela ficaria orgulhosa de mim por isso.

Assim eu concluo que, mesmo quando estamos passando por algo horrível em nossas vidas, sempre vem algo bom que nos fazer querer seguir em frente, enfim “se você quer um arco-íris deve que aguentar a tempestade.”

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COMENTÁRIOS
Profa. Márcia Celestini


Em contos mais extensos, o mais difícil é prender a atenção do leitor até o seu final. Lara consegue fazer isso fazendo o real se transformar em ficção, com estilo e uma bela estrutura de texto!


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Estado Terminal | Henrique Pires , 1º ano/EM

Na cidade de Osasco, em um bairro não muito valorizado um comércio começou a surgir trazendo muitos comerciantes para o local. Ao passar dos anos aquele local se tornou valorizado economicamente aos olhos de sua prefeitura, além de apresentar riscos muito altos de roubos devido ao comércio.

Havia ali um prédio abandonado, mas que apresentava condições favoráveis à sua utilização possuindo internamente extensos corredores e muitos blocos de escadas. Tinha também dois elevadores desligados e imundos com um odor desagradável devido à tanto tempo que não era usado. Mas esse estado não estava concentrado apenas ali, mas em todo o prédio, principalmente nos banheiros e nas inúmeras salas do local.

Com o bairro valorizado regionalmente e economicamente a prefeitura elaborou uma obra de um hospital que seria o mais moderno e cheio de recursos da cidade inteira. Aquela obra utilizou aquele prédio o qual como prometido foi o mais moderno e cheio de recursos, com muitos médicos tendo entre eles, Cubanos, Africanos, Chineses e muitos enfermeiros estrangeiros também.

Um dia um paciente foi atendido por um médico cuja origem era Africana, um médico muito competente e reconhecido por todos que ele atendia, seu nome era Obraj Alek. Na consulta o médico era muito simpático cumprimentava seu paciente e ajudava-o a sentar-se. O paciente começou a descrever os sintomas que para o médico eram novos e nunca os tinha visto. Foram indicados exames que acabaram por concluir que o estado daquele homem era muito crítico devido ao não-reconhecimento da doença e trazer o resultado de que aquilo matava-o por dentro.

O médico tinha medo por que dessa doença apresentava, como um dos sintomas, um nível muito alto de tosses que poderia transmiti-la através do ar. Com isso a família do homem foi chamada para dar-lhe a má noticia e fazer o exame para averiguar se os mesmos não haviam contraído a doença. O resultado foi preocupante concluindo que a doença era sim transmissível e muito perigosa. Começou-se a proliferar dentro do hospital causando inúmeras mortes inclusive a do médico. O prédio foi interditado e colocado em Quarentena.

Muitos cientistas e médicos ficaram impressionados com o risco que ela traria a humanidade, podendo-lhe trazer até a extinção. A busca pela cura se iniciou, mas era quase impossível encontrá-la.

Em uma tentativa de coleta de sangue de um dos infectados que ainda não morrera com a doença o cientista se infectou, mas escondeu sua situação e ao sair do local a doença começou a lhe causar inúmeras tosses espalhando a doença que com uma velocidade inimaginável se espalhou pelo mundo inteiro, pelos ares com auxílio de navios e aviões que rodavam o mundo e assim sem encontro de soluções e curas poucas, mais muito poucos pessoas sobreviveram em lugares fechados. Assim a raça humana foi extinta e mesmo aqueles que sobreviveram seria uma questão de tempo para seu fim.