Textos produzidos por nossos alunos, também considerados fonte de estudo já que os mesmos são acompanhados de comentários dos Professores.

Os alunos do 2o. e do 3o. ano do EM estão em um momento especial de seus cursos de Produção Textual: consolidação e aprofundamento da argumentação, respectivamente. Como a análise e a crítica são muito valorizadas nos exames vestibulares e como a reflexão deve fazer parte de todas as "leituras de mundo" pelas quais os alunos passam, oferecemos nas aulas de Produção Textual uma variedade de temas, de estímulos e de gêneros textuais para que nossos estudantes sintam-se cada vez mais seguros para o momento do vestibular e para quaisquer textos a que sejam submetidos nas mais diversas situações de leitura e produção de textos.

Nossas turmas já passaram pela crônica argumentativa, cujo assunto a destacar foi a crise hídrica. Assunto dos mais atuais e controversos pode aqui ser debatido pelos olhares de Marcela (3B) e Clarissa (3C). A mobilidade urbana e seus muitos entraves foi discutido em um artigo de opinião pela Daniele (2A) e pela Júlia (2A).

Propusemos um desafio às turmas do 3o.ano! Com base em um material elaborado pela Folha de S. Paulo (O que a Folha pensa) sobre assuntos relevantes e complexos, os alunos deveriam assumir o ponto de vista do Jornal, previamente publicado pelo seu editor, e apresentar argumentos convincentes que defendessem com pertinência e coerência o foco assumido. O homossexualismo e seu aspecto civil foi analisado, em um editorial, pela Beatriz (3B). O mesmo gênero foi desenvolvido pela Cíntia (3A), em defesa das cotas sob critérios sociais e não raciais.

A tipologia textual exigida pelo ENEM (dissertação argumentativa) não poderia faltar em nosso Curso de Produção Textual. O tema proposto pelo Exame em 2014 envolvendo a propaganda infantil pode ser analisado sob o ponto de vista da Gabriella (3A).

Aproveitem nossa Seção Alunos Escritores para se atualizarem e terem suas ideias questionadas ou complementadas pelos nossos cronistas, articulistas, editores e, acima de tudo, argumentadores!

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Imobilidade urbana | Júlia Violato, 2º ano/EM

Já não é segredo para pessoas que moram em grandes metrópoles que fornecer, ao mesmo tempo, condições que agradem tanto nos transportes coletivos quanto em outros, exige investimentos financeiros , o que quase não ocorre mesmo nas nações mais ricas.

Se há algum país com um sistema de transporte exemplar, ele está, provavelmente, em algum lugar da Europa, onde se pode pegar um trem de viagem de uma ponta do continente a outra sem maiores problemas. Mas, em lugares assim, houve, e ainda há, investimentos intensivos em transportes coletivos, como os metrôs e os ônibus, e em outras formas, como as ciclovias. Nada disso sai barato. Existe disposição dos governantes e da população em geral para pagar por essas condições melhores de transportes?

Em São Paulo, existem as ciclofaixas, claro, faixas de asfalto pintadas de vermelho que até o momento apenas reduzem o espaço de circulação dos carros, já que não há um real incentivo para o uso das mesmas. São poucas as ciclofaixas onde se veem ciclistas. A faixa exclusiva para ônibus é outro projeto que poderia dar certo, porém muitos preferem encarar horas no trânsito no seu carro a minutos em um ônibus. O especialista em mobilidade urbana Fernando Rebouças afirma que “a solução mais cabível é o investimento em transportes coletivos integrados, de qualidade e não poluentes”.

Desde que o carro se tornou praticamente uma necessidade, congestionamentos foram de ocasionais para inevitáveis. Mas os transportes evoluíram muito desde então, e não foi pouco. A existência de um sistema de transporte público abrangente e confortável exigiria adaptação, sim, mas ninguém pode afirmar com certeza que as pessoas não pagariam para se sentirem seguras dentro de um trem, ou confortáveis em um ônibus. Com o metrô, por exemplo, a ‘linha amarela’ deu mais um passo à frente em um longo caminho, e é inegável que a maioria dos usuários desse transporte a prefere entre as outras. É necessário , a fim de que haja melhor mobilidade urbana, mais disposição tanto dos governantes quanto da população.

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Mais pessoas ou mais carros? | Daniele Gondaline, 2º ano/EM

Atualmente as pessoas se veem em um mundo caótico, agitado , no qual a mobilidade urbana que deveria ser eficiente e gerar qualidade de vida, apenas atravanca a vida da população. Mobilidade urbana, assunto polêmico que merece ser discutido.

A mobilidade urbana são políticas públicas que visam à melhoria da circulação nas cidades, contudo, o crescimento exorbitante da população nas últimas décadas, acabou dificultando a implantação de sistemas eficazes a fim de obter melhor descolamento dentro das grandes metrópoles.

Segundo o especialista em mobilidade urbana, Fernando Rebouças, “nos últimos dez anos, a frota de veículos no Brasil aumentou em 400%”, este aumento do uso de automóveis evidencia o mau funcionamento das políticas de mobilidade urbana, e acaba gerando o congestionamento das cidades, , o Plano Diretor atual de São Paulo tenta reverter esta situação, pois, atualmente, há mais carros do que pessoas nas ruas.

Nas cidades, são construídas ciclovias e outros transportes alternativos, mas poucas pessoas utilizam esses meios de locomoção , já que são práticas que não são adequadamente incentivadas pelo governo, além disso, a maior parte da população é sedentária , preferindo ficar horas no trânsito a ir a pé para o local desejado.

Nas metrópoles do mundo , como no Brasil, existe uma grande dificuldade em superar os obstáculos e desafios dessas políticas, que não dependem apenas da melhoria dos transportes coletivos , mas também da segurança dos espaços urbanos , por este motivo o governo deveria incentivar essas práticas para melhorar a qualidade de vida e favorecer a mobilidade , ao gerar uma comoção coletiva.

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O avanço em torno da homossexualidade | Beatriz Macedo Souza, 3º ano/EM

O Conselho Nacional aprovou em 2011 que casais do mesmo sexo passariam a ter o mesmo direito de casais de sexo diferente a constituir uma família. Sem dúvida nenhuma, um grande avanço para uma sociedade tão arcaica como a brasileira.

A celebração não poderá ser recusada por nenhum cartório brasileiro, o que não afoba as polêmicas e discussões em torno do assunto.

Em muitos países desenvolvidos e avançados, a união homofóbica é concedida e o Brasil, que agora segue o mesmo caminho, passa a ser um país ainda mais igualitário em direitos.

A relação homoafetiva continua sendo um forte tabu na sociedade mundial, mas a cada grande passo como o da aprovação da união homossexual, esse tabu acaba ficando cada vez mais fraco e é perceptível que o casamento sendo um direito humano, deve ser sim aprovado para quem quiser se relacionar. O casamento é responsabilidade de cada um e não está a cerca do Estado manipular tal decisão.

Há muitas outras questões inclusas e não apenas o direito do casamento. Uma pessoa quando se casa, passa a ter outros direitos de cidadão como assistência à saúde (planos) e heranças. Se uma pessoa é impedida de se casar, automaticamente, estará sendo impedida de exercer seus direitos como cidadão.

O reconhecimento de uma União, sendo ela homoafetiva ou não, é de extrema importância. Os direitos do cidadão estarão sendo exercidos e a vida privada também.

Não restam dúvidas de que o Estado não pode agir ou controlar ninguém.

O casamento é um vínculo entre duas pessoas, independente de raça, sexo, cor e origem. O julgamento neste vínculo está fora de cogitação.

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O preconceito em sua forma legalizada | Cintia Massue R. Eguchi, 3º ano/EM

A discriminação racial está presente no Brasil há séculos e, infelizmente, ainda é presenciada no cotidiano de muitos brasileiros. A começar pelo genocídio de várias populações indígenas em um Brasil que ainda era uma colônia lusitana, o racismo se instalou na mentalidade do país e, em consequência disso, vê-se hoje uma sociedade preconceituosa em que um indivíduo julga outro com base na cor de sua pele ou em suas origens. Essa divisão racial se faz tão presente que já chegou a processos seletivos de instituições públicas e privadas na forma de cotas raciais.

Para que um indivíduo seja beneficiado pelas cotas raciais, basta que ele se auto declare pertencente ao grupo, um indício de que o sistema de cotas raciais é falho, já que dele não é exigida qualquer comprovação de suas origens. Sendo assim, qualquer pessoa, mesmo não se enquadrando nos critérios usados, pode fazer parte daquela etnia, ou seja, cabe a cada um exercer seu papel de cidadão e agir com legitimidade.

As cotas raciais são basicamente uma forma legal de preconceito racial por julgarem grupos com base em sua etnia menos capazes do que aqueles que são brancos de, por exemplo, conseguir uma vaga em uma instituição de ensino. Assim, a sociedade igualitária almejada por tantos se torna cada vez mais distante da realidade do Brasil, pois a própria legislação é conivente em relação a um problema tão sério.

De fato, grupos como negros, índios e pardos são historicamente injustiçados, mas a justiça não será feita por meio de uma discriminação disfarçada. O preconceito está enraizado no país e, para que este tenha fim e o Brasil seja, finalmente, uma sociedade igualitária, cabe a cada um exercer seu papel de cidadão e lutar constantemente para que a discriminação seja extinta.

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Pequeno cidadão e grandes problemas | Gabriella Anhê Parpinelli, 3º ano/EM

A sociedade atual depara-se com uma infeliz realidade, na qual a apelação midiática voltada ao público infantil tem como foco a venda do produto e não demonstra preocupação em relação ao pequeno interlocutor.

Tornou-se nítido o objetivo insensato e abusivo da publicidade, que vem ganhando cada vez mais força de repercussão. E neste contexto, a criança é o alvo mais fácil, tendo em vista que está na fase de formação de personalidade e dispõe de mais vulnerabilidade até os sete anos. É indispensável relevar que segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana, a criança tem influência sobre as compras gerais da casa em cerca de 80%, o que justifica o interesse publicitário no foco e investimento em relação ao público infantil.

Há, na atualidade, um contato preocupante do público que envolve crianças menores de dez anos com os meios de comunicação. E a medida que esta proporção cresce, há o maior indício de que as crianças estão sendo induzidas a uma inversão de princípios formadores de um caráter, para focar em produtos supérfluos. A partir disso, e tendo em vista que o acompanhamento dos pais em relação às crianças é cada vez menor, a formação de cidadãos alienados tende a ser elevada.

É de extrema relevância o que relata o deputado Salvador Zinhald em relação à fiscalização ineficaz da Conar voltada às agências publicitárias. Todavia é importante ressaltar que, os pais ausentes que terceirizam suas responsabilidades e não priorizam seus papéis na boa formação da criança, agravam este problema.

É necessário em meio a este contexto, garantir a aplicação das regulamentações existentes na Constituição, com o intuito de evitar as apelações midiáticas, e desconsiderar o fim das propagandas infantis, uma vez que as crianças ainda estariam expostas aos comerciais adultos.

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Vamos cuidar da água como se fosse um bebê | Marcela D’Água, 3º ano/EM

A água é um fator importante na vida das pessoas e mesmo assim elas estão desperdiçando cada vez mais água. Em média o Brasil desperdiça 37% de água, talvez se fossem camelos passariam a dar mais importância para esse líquido vital , não sei, pessoa é um bicho estranho e meio bipolar.

Algumas pessoas se importam mais com a falta d’água do que outras, com certeza o que está havendo agora é apenas o começo da escassez, mais o governo foi escolher logo um lugar que quase não chove como reservatório de água, o governo podia muito bem ter tentado colocá-lo em algum lugar com mais água, mas o que as pessoas não sabem é que o governo sempre fará as escolhas certas e sempre estará preocupado com a gente, com nossa saúde e talvez, muito provavelmente, com o nosso dinheiro também.

E agora com essa falta de água temos que tomar o dobro de cuidado, sim, todos caro leitor, temos que ter a cautela de não desperdiçar a água assim como costumamos jogar tantas palavras ao léu, ao vento, vamos cuidar dessa fonte de vida como se fosse nossa dignidade para que no final,assim como em Pandora,sempre haja uma gota de esperança.

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O milagre hídrico | Clarissa Ayri, 3º ano/EM

Hoje me aconteceu um milagre. Era um dia normal, como qualquer outro, quente como de costume e com nuvens dançando no céu azul da cidade. Por efeitos da natureza, despertei ainda antes do sol nascer, visto que a sede me matara durante um longo período e quando percebi, já havia me deslocado para a torneira mais próxima. Sem hesitar, abri o objeto: caíam apenas gotas de miséria. Suspirei. Ora, ontem mesmo, o noticiário não parava de repetir sobre uma "crise hídrica". Devo admitir que já senti seus efeitos por uma, duas semanas, se não me falha a memória.

Frustração seria a melhor palavra para descrever este dia e todos os dias anteriores. Logo cedo, fui obrigado a deixar meus aposentos e ir ao mercado em busca do líquido sagrado, a água. Na fila do caixa, todos comentavam, reclamavam e discutiam a "crise" que afeta à mim. Compreendo-os muito bem! Imagens não paravam de "atazanar" minha mente, como as pilhas de roupas sujas no canto do quarto, a louça acumulada por dias, os tempos sem poder jogar água no corpo ... e não menos obstante, meu carrinho novo abraçado por poeira e sujeira ... .

Voltei para casa como uma criança que perdeu um jogo. Tristeza enchia-me os olhos ao ver que nada funcionava como antes, onde estaria a água? Talvez tivesse se perdido no meio do deserto e secado. Em minha casa não existia um oásis, mas um rápido rascunho: algumas gotas miseráveis que sumiam rapidamente. Chovia? Chovia. Mas como citei anteriormente, as gotas sumiam e nunca alcançavam minha casa. Tudo estava perdido!

Como se os céus tivessem ouvido minhas súplicas, fui atendido. Ainda na mesma noite, em um momento de distração, abri a torneira e me surpreendi com as águas límpidas correndo por ela. Um milagre aconteceu! Não mais que de repente, desci as infinitas escadas e peguei a mangueira: depois de tanto tempo, era hoje que meu carrinho ficaria bonito ... .