Textos produzidos por nossos alunos, também considerados fonte de estudo já que os mesmos são acompanhados de comentários dos Professores.

Os alunos do COC SAPIENS, a partir dos 5° anos, realizaram o II Concurso de Gêneros Textuais. Cada série foi responsável por desenvolver um gênero textual (página de diário, carta pessoal, crônica, artigo de opinião e editorial) a partir do assunto memória. O tema de cada produção foi apresentado no dia aos alunos, variando desde a criação de situações usando ficções científicas até a crise política atual.

É com extrema alegria que apresentamos os finalistas do Concurso representados aqui pelos seus textos, que emocionam, divertem, cativam, fazem pensar, trazem indignação.

aluno coc
Carta Pessoal | Por Ana Clara Duarte Lessa, 7º ano/EFII

Osasco, 02 de setembro de 2015

Ana Clara,

Neste momento, você está lendo uma carta escrita por você mesma. Acho que você não entendeu, mas vou explicar. Hoje, dia 02 de setembro de 2015, eu fui abduzida por extraterrestres que apagarão minha memória e o chefe da nave em que eu estou me deu 2 horas para escrever essa carta. Você vai lembrar quem você é por meio dela.

Bom, eu nasci dia 01 de maio de 2003 e os meus pais são Mônica e Luís Augusto, e meu irmão, Gustavo. Perdi minhas memórias com 12 anos mas nunca vou esquecer do dia em que tudo mudou.

O dia em que tudo mudou foi quando eu recebi uma carta que chegou por engano, pelo que eu entendi era de um homem solitário que tinha uma doença e estava prestes a morrer. Ele havia se afastado da família e morreria sozinho, pois desprezou a quem mais amava. A partir do momento em que li essa carta, eu decidi que nunca me afastaria de quem amo, seja parente, amigo ou qualquer outra pessoa querida. Escrevi essa carta pois essa memória ajudou a construir quem eu sou e espero que, em 2035, eu ainda seja a mesma pessoa. E um recadinho: seja de verdade, em qualquer coisa que você fizer, desse jeito, poderá ter eternas memórias.

Um abraço,

Ass: Você mesma

aluno coc
Artigo de Opinião | Por Bruna Borlina Monteiro, 2º ano/EM

Pela mudança do pensamento antiquado

Hoje em dia, há discursos feministas na televisão e em redes sociais. Em séries e novelas de televisão, veem-se temáticas combatendo o preconceito. Por que essas manifestações estão presentes no dia a dia atual? Porque mulheres e negros eram e, infelizmente, ainda são minoria oprimida na sociedade.

Na literatura, encontramos mais autores homens e brancos . No cenário musical, a maioria dos negros produz músicas populares como samba, pagode e funk. No cinema americano, a maioria dos personagens principais é branco e se há personagens negros, costumam ser coadjuvantes. No mercado de trabalho, as mulheres recebem menos que os homens ao realizar exatamente as mesmas tarefas.

Apesar dessa parcela de oprimidos continuar sofrendo com a desigualdade de gênero e de cor, hoje tem o direto de expressar seu descontentamento assim como fez a atriz Viola Davis na premiação do Emmy desse ano. Ao receber o prêmio, ela realizou um discurso que mostrou que a realidade de 1800 está presente nos dias atuais e, ao dizer “a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade”, deixa claro que o principal fator do século XIX presente hoje é o preconceito. Com seu discurso, Viola representa as duas minorias citadas anteriormente, o que torna sua vitória ainda maior e faz suas palavras repercutirem ainda mais.

As minorias estão se juntando para tornar discursos como esse cada vez mais sensíveis e memoráveis. Utilizam os recursos disponíveis, a liberdade de expressão e o rápido fluxo de informações para uma luta mais justa por direitos iguais não só na Constituição, mas também na prática; luta essa entre a parcela reprimida da sociedade e a memória persistente da sociedade machista e racista que já deveria estar extinta antes mesmo dos humanos formarem as primeiras comunidades.

aluno coc
Editorial | Por Cintia Massue R. Eguchi, 3º ano/EM

Pela manutenção da democracia

O ano de 2015, certamente entrará para a história do Brasil como o ano em que o cenário político do país agravou-se de forma nunca antes vista, acarretando, ainda, uma grave crise econômica. Escândalos de corrupção envolvendo grandes nomes da política brasileira, como o que ocorreu na Petrobras, vieram à tona; a ameaça de um possível processo de impeachment da atual presidente Dilma Rousseff e muitos outros aspectos que, somados, colocam em risco a democracia no país, mostrando o quanto tal sistema ainda é frágil.

Diante de tal cenário político e econômico, a ausência de uma mídia democrática no país, a qual, ao divulgar notícias e reportagens, na maioria das vezes, o faz de maneira tendenciosa, faz com que a população não tenha acesso a opiniões dos mais diferenciados posicionamentos acerca do que ocorre no Brasil. Dessa forma, a tomada de posição pela população é prejudicada, o que, de certa forma, agrava a atual crise, uma vez que ela é a principal atingida.

Como conseqüência da ausência de um mídia democrática, percebe-se, nas recentes manifestações, as quais clamam, principalmente, pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, que muitos dos participantes sequer sabem o motivo que fez com que aquele movimento ocorresse. Isso evidencia a falta de engajamento político por parte de tais pessoas acerca daquilo que se passa em seu país e, querendo ou não, afetam-nas diretamente.

O sistema republicano no Brasil pode ter mais de um século de existência, mas a República democrática é jovem e, talvez, a população, o que inclui, também governantes, não esteja preparada para lidar com um sistema de governo como tal. Exemplo disso é o fato de nome de Fernando Collor de Mello, que foi autor de um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil, no início da década de 90, estar, atualmente, no quadro de senadores do estado de Alagoas. Sua eleição a tal cargo mostra que a população não é criteriosa na escolha de seus representantes, sendo que é isso que conduz o país a crises, como a que acontece agora.

É evidente o fato de que o Brasil passa por uma forte crise que, além de política, é também social e, sem o devido engajamento político da população em questões como as citadas, a atual situação tornar-se-á um ciclo.

aluno coc
Artigo de Opinião | Por Camila Mayumi R. Eguchi, 2º ano/EM

Viola Davis vence não só o Emmy como também o Determinismo

Em noite de Premiação do Emmy, em que o que mais há é prestígio, a primeira mulher negra a vencer um Emmy de melhor atriz dramática, Viola Davis, emociona-se com a situação e faz um discurso político social de muito prestígio.

“A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade”; a frase pronunciada pela atriz reflete a situação atemporal dos negros na sociedade: a falta de oportunidade.

Em nosso país, o preconceito racial, muitas vezes velado, decorre de uma longa situação histórica, iniciada na época colonial, na qual os negros africanos foram trazidos ao território para serem escravizados, surgindo, assim, uma visão pejorativa que persiste até hoje, pois, mesmo após a abolição, os negros continuaram sendo excluídos em todas as esferas sociais. Um retrato dessa situação pode ser encontrado em obras de Aluísio Azevedo, “O Mulato” e “O Cortiço”. Não só ele, como outros autores, também buscaram retratar o tema, construindo uma memória histórica e explicitando que a própria nação venera o branco europeu e despreza o negro africano.

O fato de os negros serem vistos de forma ruim no âmbito social leva à desigualdade, na qual os considerados inferiores recebem menos oportunidades, algo exemplificado no fato de a classe econômica alta ser constituída por muito mais brancos do que negros, os quais são marginalizados apenas pela cor de sua pele.

O discurso político de Viola Davis critica justamente uma sociedade mundial que prefere dar um emprego a um branco, que produz e valoriza apenas ícones midiáticos brancos, e que, principalmente, demonstra seu preconceito de forma sutil, fazendo com que tanto brancos quanto negros convivam com a discriminação de forma corriqueira e natural, criando um Determinismo, no qual a raça determina a posição perante a sociedade. Logo, o discurso mencionado em um meio muito prestigiado é importante para destruir esse Determinismo, desenvolvendo uma análise da postura em relação aos negros e acabando com a divisão social entre raças.

aluno coc
Crônica de Humor | Por Cecília de Almeida Costa, 8º ano/EFII

A Vida ou A Falta Dela

Outro dia eu tinha acabado de voltar para casa depois do trabalho para encontrar minha irmã choramingando no sofá da sala, ela disse que tentava falar com o namorado, mas não tinha mais conexão com a Internet fazia alguns dias. Eu sugeri que ela ligasse para ele, “não tenho crédito”, ela respondeu. Falei para que ela fosse ao mercado mais próximo e colocasse crédito no celular, ou para que fosse à casa dele. “Isso tudo é muito complicado” minha irmã disse e eu concordei balançando a cabeça, realmente, relacionamentos são muito complicados. Ela se espreguiçou no sofá dizendo “É muito complicado toda essa coisa de ligação pelo celular, tipo falar com as pessoas”...Suspirei e perguntei se ela já tinha tentado tirar o modem da tomada, ela me respondeu que “mais um pouco e tirava a vida da tomada”. Achei pesado, preferi não incomodá-la mais naquele dia.

Mas não era só ela que sofria com a falta da vida. A vida virtual, eu digo. Quando a Internet foi suspensa, a primeira coisa que pensei foi em postar no Twitter “gente, ajuda, kd a @internet??”, tweet não foi enviado e eu fiquei confusa, afinal tinha menos que 140 caracteres.

Até mesmo nesse emprego não está sendo fácil. Sabe por que o jornal dessa semana saiu atrasado, meu caro leitor? Não, não foi por causa do editor-chefe que não aceitava a matéria de ninguém se não seguisse ele no Instagram (que bom também, pois, semana passada, tinha me metido numa discussão com ele quando argumentei que ele devia parar de postar fotos de comida, então ele disse para que eu parece de segui-lo já que não gostava, e eu pedi para que aceitasse minhas matérias, então. Voltamos à estaca zero). O jornal saiu atrasado, pois os funcionários tentavam enviar suas matérias por e-mail, e depois perguntavam pelo whatsapp se o editor tinha recebido. Claro que não tinha recebido, ninguém mais usa e-mail.

O que o mundo está esperando do ser humano? Se ficarmos sem Internet, melhor largarmos todos os outros bens materiais e virarmos monges.

Como estudiosos fariam suas pesquisas? Por bibliotecas? São como museus, ricas em informações, mas informações velhas em que todo mundo tem preguiça de prestar atenção.

O ser humano tem e sempre teve como necessidade compartilhar sobre a própria vida. Um dia desses, encontrei uma mulher no elevador que me contava sobre sua vida (ou sua falta de vida) sem Internet, e eu nem conhecia a mulher, o que ela queria que eu respondesse? “Curti”?

Tenho certeza de que qualquer dia desses você vai ler uma crônica do autor contando da própria vida sem Internet, e o que vai dizer? “Curtiu”?

aluno coc
Editorial | Por Gabriel Teruhiro Sakakabara, 3º ano/EM

Duas crises com uma cajadada só

"Hipocrisia" e "contradição" são palavras recorrentes quando o assunto é política brasileira (atual ou passada), principalmente nas generalizações a respeito dos políticos que já são praticamente ditados populares como "Político é tudo safado", o que é de espantar, pois retrata a saturação e o cansaço visto no rosto do brasileiro quando o assunto é política, mesmo sendo breve ainda a história da república no Brasil e tão recente a retomada da democracia.

É espantoso, porém não compreensível: exatamente por ainda ser curta e inconstante a história republicana brasileira, essa ainda não é madura e seus cidadãos tampouco têm total noção de seu real poder, fatos que abrem espaços para abusos de poder ou corrupção por parte dos representantes e um sentimento de impotência por parte da população.

Seria mentira, entretanto, afirmar que o brasileiro não participa da política de seu país: em momentos de profunda insatisfação, o povo exerceu seu direito de protesto e pressionou o governo. Tampouco verdadeira seria a afirmação de que tal pressão e cobrança são constantes: tratam-se de episódios.

Não ao acaso, a economia parece caminhar de modo análogo, uma vez que intercala momentos de explosão e depressão, paralelamente à situação política, não sendo exceção o atual quadro político e econômico.

É hipócrita, portanto, a fala do ex-presidente Fernando Collor quando este diz, em entrevista ao UOL, que o Brasil passa por uma crise política sem precedentes, enquanto o mesmo passou por situação semelhante há não muito tempo no movimento dos Caras Pintadas, fato que exemplifica a imaturidade, não somente da oposição, mas do governo por completo, em que os partidos estão mais preocupados com o número de cadeiras na Câmara do que com o número de horas na fila de espera do SUS.

A atual instabilidade econômica é, portanto, decorrente da imaturidade política nacional, a qual não fornece uma base sólida para o desenvolvimento do país, sendo assim, a solução para as duas crises passa pelo amadurecimento político da sociedade brasileira por meio de uma maior e mais profunda educação política, principalmente nas escolas, tendo a memória histórica nacional um papel indispensável nesse processo, servindo de base teórica para a construção de cidadãos pensantes e presentes nos debates políticos não apenas esporadicamente, mas de modo contínuo e decisivo, tratando-se de um projeto de resultados a médio e a longo prazo, ou seja, o país não pode “se dar ao luxo” de pôr em risco a sua democracia nesse ínterim, como já é sugerido por aqueles a favor de uma nova intervenção militar, o que só postergaria a possibilidade de o Brasil atingir todo o seu potencial político, econômico e social.

aluno coc
Crônica de Humor | Por Giullia Reggiolli, 9º ano/EFII

Desconectada por um dia

E se, em uma noite, a internet se extinguisse? Foi exatamente o que eu vivenciei na noite de 26 de fevereiro de 2015. Me lembro como se fosse ontem (e foi mesmo): eu estava em meu quarto, buscando inspiração para a crônica que eu deveria escrever para o jornal. Abri o computador enquanto girava na cadeira, vasculhando por ideias na minha mente até que meu roteador de internet apagou, estranhei, mas esperei que reconectasse. Após alguns minutos, meu celular ficou sem sinal e apagou, me levando ao desespero.

Assim que pequei o aparelho e percebi que não haveria meios de ele voltar a ligar, meu primeiro pensamento foi: “Como vou responder às mais de 300 mensagens de grupos nas redes sociais?”, não achei resposta até que escutei um barulho na porta, corri para atender e descobri ser meu vizinho idoso, Geraldo, que veio pedir uma xícara de algo aparentemente, mas vendo a preocupação e o nervosismo que meu rosto estava, logo perguntou o que havia acontecido: lhe expliquei sobre minha desconectividade com o mundo virtual e sobre a entrega da crônica no dia seguinte, e ele me contou que esse problema havia sido causado no prédio inteiro, mas quanto à crônica, ele me ajudaria a resolver. Com isso, o senhor deixou meu apartamento e voltou a sua moradia.

Minutos depois, Geraldo voltou à minha casa com as mãos cheias de livros e me explicou sobre a pesquisa que me ajudaria a fazer para meu texto.

Fiquei muito agradecida e, juntos, passamos a noite lendo sobre o mundo sem tecnologia e globalização, sob a luz de velas, já que a energia havia acabado também. O idoso me contou sobre sua época em que não havia a conexão virtual de hoje e isso me fez pensar em como eu sobreviveria sem ver vídeos no computador ou responder mensagens no celular, ou ainda sem ver fotos dos famosos.

Esse mundo sem internet seria uma realidade diferente com a qual não estamos acostumados, mas que talvez não seria tão ruim... tudo bem, seria difícil viver.

Ao final da madrugada, Geraldo me perguntou como eu imaginava minha vida sem internet e eu lhe respondi que deveria ser legal, eu menti, mas essa pergunta, caro leitor, foi a inspiração para essa crônica.

aluno coc
Página de Diário | Por Larissa Reder, 5º ano/EFI

Osasco, 02 de outubro de 2015

Querido diário,

Hoje, decidi escrever meus planos para daqui a 20 anos, ou seja, o que eu pretendo mudar no mundo e vou contar como será minha família. Ok, vamos lá:

Primeiro, quero construir casas para os moradores de ruas morarem, pois é muito triste ver eles com frio e fome. Também quero construir orfanatos para órfãos viverem.

Também quero que as pessoas ruins tenham consciência de seus atos, porque isso também é triste de se ver.

Agora chega de falar de coisas ruins e vamos falar da minha família, diário!

Eu vou ter duas profissões: cientista e médica! Aí, vou conhecer o amor da minha vida, que eu não sei quem é, vou namorar, casar e ter filhos: um menino e uma menina! Eles vão ser muito felizes, vão ser inteligentes desde pequenos, pois vou colocá-los em uma escolinha! Depois, quando já forem maiores de idade, vão viver a vida deles, vão ter filhos, etc.

E eu pretendo viver até meu último segundo de vida com o amor da minha vida, que eu ainda não sei qual é!!!

Esse registro foi bem grandinho, mas consegui falar o que eu quero para o futuro do mundo e para o meu futuro, é claro!!!

Tomara que alguém ache esse registro e leia-o! Foi isso diário, até o próximo registro!!!

Larissa

aluno coc
Página de Diário | Por Leonardo Mariani da Costa Cruz, 5º ano/EFI

Osasco, 02 de outubro de 2015

Querido diário,

Hoje falarei como eu quero o planeta para termos um futuro melhor.

Para começar, eu queria que tivesse menos poluição no planeta, dos carros, das indústrias e do ser humano, pois tudo isso pode acabar derretendo as calotas polares. Isso inundaria tudo e eu acho melhor não corrermos um risco tão grande como esse.

Outra coisa é a violência que está causando problemas, como guerras e mortes. Isso é uma tremenda besteira! A maioria desses casos acontece quando as pessoas brigam por poder ou riquezas. Minha opinião sobre isso é que essas pessoas só ligam para elas mesmas, como os ladrões que ameaçam pessoas só para conseguir dinheiro.

A falta de água no Brasil é um problema mais recente que eu queria que se resolvesse. Mas as pessoas abusam da quantidade usada, e com essa seca. Deus me livre!

Ainda tem o trânsito, que é um problema enfrentado por quase todos, até por mim e minha mãe. Por mim, o trânsito se dissolveria facilmente apenas com a colaboração das pessoas.

O mundo que eu imagino não teria problema assim, pois ele seria feliz, sem muitos problemas de vida. Eu sempre imaginei isso e vou me esforçar para alcançar esse objetivo tão sonhado por mim e por todos!

Esse seria o meu mundo.

Te conto mais na próxima.

Leo

aluno coc
Crônica de Humor | Por Letícia Matis Simões, 9º ano/EFII

Aquilo que nos torna humanos

A Internet... Ah!Doce, querida e adorada Internet. O que seria de nós, simples humanos, sem a sua maravilha virtual? Não seríamos nada, não é mesmo? Meros mortais como nós acreditamos que não sobreviveremos sem você para nos informar, guiar, distrair, entreter e até mesmo namorar.

As coisas, porém, nem sempre foram assim. Consigo lembrar de uma época mais simples, em que as pessoas acordavam e a primeira coisa que faziam era respirar o ar puro e fresco da manhã. Em que, ao invés de dormirem perto da tomadas e celulares, os jovens dormiam perto de lâmpadas e livros. Numa época em que a razão para esses jovens estarem tão cansados pela manhã era aquele trabalho deixado para ultima hora ou aquele romance para o qual, quando o sono batia, era repetido o mantra “Só mais um capítulo.” Não estou dizendo que a Internet é maléfica, nada disso. Ela é o oráculo da atualidade que, assim como na Antiguidade, deve ser consultada com sabedoria e cautela.

Vejo todos os dias, jovens conectados em seus celulares, desatentos do mundo ao seu redor e às emoções que por ele fluem. O que houve com o tempo em que as risadas, alegres ou tímidas, e as lágrimas, tanto de alegria quanto de tristeza, eram mais valiosas do que um punhado de fios de cobre? Em que as pessoas pensavam, e sentiam, por si mesmas? O mundo era um lugar mais simples, é verdade. Não existia toda essa obsessão dos dias de hoje, em que onde tudo e todos andam rápido demais, sem tempo para respirar e lembrar das memórias que nos tornam humanos.

aluno coc
Editorial | Por Maria Luísa Tinôco, 3º ano/EM

A irreversível marca do agora no amanhã

O começo do século XXI tem sido um barril de pólvora em diversas questões, tanto no Brasil, como no mundo. Após ascensões e escândalos, nosso país vive um período bastante delicado no que diz respeito à política e à economia. Nossa redação, portanto, sente-se impelida a deixar claro aos leitores do jornal A voz frente a esse momento.

Nós brasileiros passamos por uma maré de instabilidade política, política esta que atinge níveis estratosféricos de desaprovação civil, semelhante à atmosfera imediatamente anterior ao impeachment do Collor. O povo vai em massa às ruas pedindo o impedimento do governo Dilma, assim como os Caras Pintadas em 1992, só que dessa vez, sem nenhuma acusação que envolva a presidenta de maneira a comprometê-la. As avenidas em dia de manifestação se transformam num circo de horrores, palco para discursos de ódio de classe social e partidário gritados por um movimento desorganizado de pautas divergentes e muitas vezes absurdas e tal posicionamento reacionário é potencializado e apoiado pelos grandes meios midiáticos, os quais, vale ressaltar, são monopolizados por famílias restritas e privilegiadas de extrema direita brasileira.

Ademais, os jornais estampam em letras garrafais; ilustram em suas chamadas comerciais e aumento exorbitante do dólar, sempre se referindo ao seu valor nominal e não real, que subtrai a inflação, ou seja, mostram sempre um valor mais alto do que na prática. A inflação, por sua vez, também está em alta, uma vez que todo o planeta sofre com a crise econômica – basta saber um pouco de economia para reconhecer que a inflação não é culpa da Dilma e sim do próprio sistema mercadológico. Apesar de acima da média, segue saudável e controlada, e mais uma vez, a mídia de massa insiste em dizer somente o que convém.

O movimento não é representativo de toda a população civil, ao contrário do que dizem as más línguas e do que mostram as imagens de manifestantes vestindo camisa verde e amarela, como foi o Diretas Já, por exemplo. A movimentação que vem acontecendo para tal fim político, se alcançado, será mais um capítulo de nossa história registrado por uma parcela ínfima e elitizada da população. Uma vez concretizado esse processo político nada simples que é o impeachment, não há volta, pois ficarão registradas em nossas memórias históricas as vontades parciais se sobrepondo mais uma vez às coletivas.

Editora-chefe do Jornal "A Voz"

aluno coc
Artigo de Opinião | Por Nicolas Galante, 2º ano/EM

A impressão de superioridade sobre negros

As pessoas afrodescendentes foram exploradas e tratadas como objeto para a criação e desenvolvimento de regiões ao redor do mundo.

Sua moral e seus valores tinham o espaço reduzido, as chances de um negro crescer na sociedade é (e era mais ainda) difícil; em alguns contextos, impossível.

Homens e mulheres negros eram predestinados a serem submissos, por isso, criou-se um sentimento de superioridade em cima de negros, os quais eram julgados, obviamente, de forma errada, se eram ou não capazes de cumprir funções além da servidão.

Após a abolição da escravidão, o negro foi “humanizado”, porém tal impressão de superioridade não foi esquecida, logo, para sobreviver, negros precisavam aderir a funções consideradas menores e com menor capacidade de executá-las, como empregados, lixeiros, pedreiros e outras profissões e lugares retratados em registros histórico culturais.

Esse sentimento (impressão) é o preconceito, que limita as oportunidades para homens, mulheres e até crianças que eram ou aparentam ser parentes, ou de algum grau afetivo, de escravos.

Mesmo não sendo o último país a abolir a escravidão, os Estados Unidos (país origem da autora da frase “a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade” – Viola Davis) é um país racista. Segundo o senso de 2008, aproximadamente 15% da população absoluta é afrodescendente, há muitos mais brancos e outras etnias para reduzir as oportunidades de negros do que aqui no Brasil (população negra 50%).

O histórico de submissão da mulher, além de aumentar as chances de julgamento de capacidade, torna seu salário menor do que o do homem, tanto na América, quanto no Brasil.

As mulheres, segundo o IBGE, são mais propícios à adquirir funções menos creditosas (60% da população de empregados e secretárias e feminino – IBGE, 2012).

Tais dados apenas diminuirão quando o meio em que negros e mulheres viverem seja favorável à sua ascensão social, não bastam apenas direitos iguais, é necessário que as oportunidades também sejam.

aluno coc
Carta Pessoal | Por Susana Beres Corrêa, 6º ano/EFII

Osasco, 02 de outubro de 2015

Cara Susana,

11 anos de lembranças, e a memória-caixa destas me fez, através da observação, aprender a falar, a andar, a reconhecer vozes e cheiros, entre outras coisas; quando receber essa carta, gostarei de me lembrar de momentos felizes que passei com os meus familiares, amigos, minhas festas de aniversário, minhas viagens, entre outras memórias que fizeram parte de minha vida, mas gostaria de me lembrar muito, de uma memória recente, que era o fato de uma criança morta na praia.

Naquela foto, vista em jornais televisivos ou não, observei somente a praia, e me lembrei de momentos felizes que passei com pessoas que se respeitavam, e quando debruçava meus olhos para o menino, só via ele, sozinho, morto, a culpa não foi do mar.

Analisando a memória artificial do jornal, percebi que a diferença entre mim e o menino estava na falta de respeito de quem o cercava.

O homem, esqueceu que as discriminações, o ódio, as guerras, resumidas em desrespeito, só trazem tristezas, principalmente para os mais frágeis.

O vírus do computador não permite o delete para teorias como as de Hitler e Mussolini.

São Tomaz de Aquino se assusta com a dupla homem e poder resultando em demônios.

Freud não acredita na memória desmemoriada.

Shakespeare mudaria sua frase: ser ou esquecer, eis a questão.

Eu teria uma fórmula para isso?

Quando for ler essa carta, me lembrarei de tudo.

Susana

aluno coc
Carta Pessoal | Por Thais Marques, 6º ano/EFII

Osasco, 02 de outubro de 2015

Olá Thais!

Eu sou você há 20 anos, fomos capturadas, por extraterrestres e, por algum motivo, disseram que teriam que apagar sua memória.

Você ainda era “inocente” na época, uma criança, não sabia o que estava havendo, e hoje te explico.

Essa carta é para que você lembre de tudo o que aconteceu em sua vida de 2015 para trás.

Bom, sua mãe se chama Telma e seu pai Luiz. Você tem uma irmã linda chamada Tamires (Tamy) e um cachorro muito fofo, o Cacau.

Você estudava em uma escola chamada COC, na qual você entrou no 2º ano do Fundamental I, com uma professora maravilhosa, Geisa, que ficou com você 3 anos de sua vida.

Você também teve 6 amigas fiéis no 6º ano, Bárbara, Júlia P., Bia H., Bia P., Duda e Ana Claudia.

Na época, em que estávamos em 2015, estava tendo vários problemas como: poluição, falta de água, mas também havia benefícios, como a medicina e a tecnologia.

Quando você tinha 11 anos, você tinha um problema muito sério, que nunca revelou a ninguém, o medo, e o nervosismo. Na hora das provas, tinha medo de ir mal e não se concentrava, por isso ia mal e ficava pensando em seus pais igual agora que escrevo essa carta. Você tirou 2 notas máximas nas provas e ficamos bem orgulhosas de nós mesmas. E você ama desenhar!

Bom, foi isso de importante na sua vida.

Thais

aluno coc
Página de Diário | Por Yasmin Muzeti, 5º ano/EFI

Osasco, 02 de outubro de 2015

Querido diário,

Fiquei pensando como seria meu mundo. Pensei, pensei, pensei...

E descobri como seria o meu mundo, o mundo perfeito. O mundo em que gostariam de viver.

Seria um mundo em que as pessoas não iriam pensar no futuro, e nem no passado, apenas no presente e nos bons momentos que a vida nos dá.

Ninguém teria um fim, um final na vida. Todos viveriam eternamente, saudáveis e felizes.

Não haveria momentos tristes na vida, apenas calmos, tranquilos e felizes.

Só haveria lindos pássaros, e um grande Sol no céu, não haveria poluição.

Após chuvas de água cristalinas, haveria um grande e lindo arco-íris.

Por mim, haveria apenas reis e rainhas, príncipes e princesas, decididos por descendência , e não pelo governo, o que é mais difícil de resolver.

Tudo seria de ótima qualidade, e com bons preços, para os de menor condições.

Os necessitados receberiam abrigo, comida e condições de vida.

Resumindo, seria o mundo perfeito!

Bem que na realidade poderia ser assim, mas não é!

Um dia, vou tentar fazer com que esse mundo vire um muito melhor! Pois é, como diz o ditado: “a esperança é a última que morre”.

Quem sabe dá certo, né?

Yasmin